Estudo identifica novo tipo de onda de calor úmida vinculada a ciclones tropicais no Japão
Pesquisadores da Universidade Metropolitana de Tóquio identificaram um novo tipo de onda de calor úmida no Japão associada a ciclones tropicais. A análise de dados entre 1992 e 2021 revelou que esse fenômeno representou 25% dos eventos estudados e teve frequência crescente
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Um estudo conduzido pela Universidade Metropolitana de Tóquio identificou a existência de um novo tipo de onda de calor úmida no Japão, vinculada à atuação de ciclones tropicais. A conclusão, publicada na Revista da Sociedade Meteorológica do Japão, resultou da análise de episódios climáticos extremos ocorridos entre 1992 e 2021.
Liderada pelo professor associado Hiroshi G. Takahashi, a pesquisa examinou padrões de circulação atmosférica para demonstrar que as ondas de calor não operam sob um único mecanismo. Enquanto estudos em massas continentais, como Estados Unidos e Europa, focam na perda de umidade do solo como fator que intensifica o calor ao reduzir a refrigeração por evaporação, a dinâmica japonesa difere por ser um arquipélago. Nesse cenário marítimo, a correlação entre a seca do solo e as temperaturas extremas é menos expressiva, demandando a investigação de outros agentes causadores.
Para classificar esses eventos, a equipe utilizou um algoritmo para processar 108 dias de ondas de calor, extraindo os padrões dominantes de circulação do ar. O levantamento confirmou a existência do modelo tradicional, caracterizado por um sistema de alta pressão vindo do Oceano Pacífico que gera períodos quentes, secos e breves. Contudo, os dados revelaram uma configuração distinta, associada à aproximação de ciclones tropicais.
Nesse novo cenário, o sistema de baixa pressão do ciclone transporta volumes massivos de umidade para o país. O fenômeno resulta em ondas de calor úmidas, nas quais as altas temperaturas coincidem com a elevada umidade do ar ou a ocorrência de chuvas intensas.
Os pesquisadores constataram que esse tipo de evento representou aproximadamente 25% dos dias analisados e apresentou um crescimento sistemático em sua frequência ao longo das últimas três décadas. A coexistência de temperaturas extremas e precipitações torrenciais em um mesmo evento meteorológico amplia os riscos para a população.