Estudo identifica rota que reduz viagem para Marte para apenas sete meses
O professor Marcelo de Oliveira Souza, da UENF, identificou rotas para Marte com duração total de sete meses. O estudo, baseado em trajetórias de asteroides e simulações computacionais, propõe janelas de viagem entre 153 e 226 dias. A pesquisa foi aceita pela publicação Acta Astronautica
Um estudo desenvolvido por Marcelo de Oliveira Souza, professor de física da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), em Campos dos Goytacazes, identificou uma rota de ida e volta para Marte com duração total de sete meses. O resultado, que utiliza simulações computacionais e inteligência artificial, reduz drasticamente o tempo de viagem em comparação ao modelo convencional, que leva entre dois e três anos.
A descoberta baseia-se na análise de trajetórias de asteroides que orbitam próximos à Terra e a Marte. A partir de 2015, Souza mapeou esses movimentos e identificou a existência de "corredores geométricos" no espaço, que funcionam como balizas naturais. Esses caminhos permitem deslocamentos mais eficientes entre os planetas ao otimizar a mecânica orbital, eliminando a dependência exclusiva de janelas orbitais tradicionais.
O processo de validação dos cálculos ocorreu ao longo de uma década. Inicialmente, a falta de poder computacional exigia que as simulações fossem realizadas manualmente, mas a integração de ferramentas de inteligência artificial acelerou a verificação dos dados e confirmou a viabilidade das rotas.
Os cálculos apresentam dois cenários distintos para a missão: um cenário viável, com duração de 226 dias (aproximadamente sete meses e meio), e um cenário extremo, que reduziria o tempo para 153 dias. Ambas as possibilidades são executáveis com a tecnologia atual, sem a necessidade de propulsão nuclear ou motores de plasma experimentais.
A aplicação prática dessa rota teria uma janela ideal em 2031, aproveitando a posição relativa entre a Terra e Marte. A redução do tempo de viagem impacta diretamente a viabilidade de missões tripuladas, pois diminui a exposição dos astronautas à radiação cósmica, reduz a perda de massa óssea causada pela microgravidade e diminui a necessidade de suprimentos, combustível e custos operacionais.
O trabalho, intitulado “Utilizando dados orbitais iniciais de asteroides para missões rápidas a Marte”, foi aceito pela Acta Astronautica, publicação da Academia Internacional de Astronáutica.