Ciência

Estudo indica que a água na Lua se acumulou gradualmente ao longo de bilhões de anos

07 de Abril de 2026 às 18:09

Estudo publicado na Nature Astronomy sugere que a água na Lua se acumulou gradualmente entre 3 bilhões e 3,5 bilhões de anos. A pesquisa utilizou dados da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter para correlacionar a concentração de gelo com a permanência de sombras em crateras. A Nasa planeja enviar o instrumento L-CIRiS ao Polo Sul lunar até 2027 para detalhar a distribuição do recurso

Estudo indica que a água na Lua se acumulou gradualmente ao longo de bilhões de anos
Nasa

A água presente na Lua pode ter sido acumulada de maneira gradual ao longo de bilhões de anos, em vez de ter sido depositada por um único evento catastrófico, como a colisão de um grande cometa. A tese, publicada nesta terça-feira (7) na revista Nature Astronomy por uma equipe internacional de cientistas, propõe que esse processo contínuo de deposição ocorreu durante um período entre 3 bilhões e 3,5 bilhões de anos.

A pesquisa busca solucionar a disparidade na distribuição de gelo lunar, explicando por que crateras com características semelhantes apresentam concentrações distintas desse recurso. Observações de missões da Nasa já haviam confirmado a existência de água congelada em regiões de sombra permanente, especialmente no Polo Sul, mas a origem e a desigualdade dessa distribuição eram desconhecidas.

Para analisar a questão, os pesquisadores utilizaram simulações da evolução da superfície lunar baseadas em dados do instrumento Diviner, da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO). O estudo considerou as mudanças na inclinação da Lua em relação à Terra, fator que determinou quais crateras permaneceram escuras por mais tempo e quais foram expostas ao sol, o que teria impedido o acúmulo de gelo. A correlação entre as áreas que mantiveram a escuridão prolongada e os sinais de gelo detectados reforça a hipótese de que as crateras mais antigas são as que concentram mais água. Um exemplo é a cratera Haworth, no Polo Sul, que pode estar sob sombra há mais de 3 bilhões de anos.

Embora a origem exata da água não tenha sido definida, o estudo aponta fontes prováveis, como impactos de asteroides e cometas, atividades vulcânicas antigas e o vento solar. Paul Hayne, coautor do artigo e cientista planetário da Universidade do Colorado em Boulder, explica que o hidrogênio transportado pelo vento solar pode reagir com o oxigênio da superfície lunar para formar moléculas de água. Esse gelo se preserva sem evaporar nas chamadas "armadilhas frias", que são crateras que não recebem luz solar direta há bilhões de anos.

A identificação desses depósitos é estratégica para a exploração espacial, pois a água pode ser utilizada para consumo humano ou decomposta em oxigênio e hidrogênio para a fabricação de combustível de foguetes. Oded Aharonson, autor principal do estudo, destaca que a localização de água utilizável fora da Terra é um dos desafios centrais da astronomia.

A confirmação precisa da origem da água lunar dependerá da análise direta de amostras. Para avançar nesse mapeamento, a Nasa planeja enviar ao Polo Sul da Lua, até o final de 2027, o Sistema Compacto de Imagem Infravermelha Lunar (L-CIRiS), instrumento desenvolvido por Hayne para detalhar a distribuição do gelo nas crateras.

Com informações de Revista Galileu

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