Ciência

Estudo indica que a água na Lua se acumulou gradualmente ao longo de milhões de anos

08 de Abril de 2026 às 12:23

Estudo na revista Nature Astronomy indica que o gelo no Polo Sul da Lua se acumulou gradualmente entre 3 bilhões e 3,5 bilhões de anos. A pesquisa associa a maior concentração de água às crateras mais antigas e a áreas de escuridão permanente. As fontes prováveis incluem impactos de asteroides, vento solar e atividade vulcânica primitiva

Estudo indica que a água na Lua se acumulou gradualmente ao longo de milhões de anos
Fuente: NASA

A acumulação gradual de água na Lua ao longo de milhões de anos é a tese central de um estudo publicado na revista Nature Astronomy. A pesquisa, conduzida por uma equipe internacional, indica que o gelo presente no satélite não resultou de um evento único e súbito, mas de um processo contínuo de deposição que teria ocorrido entre 3 bilhões e 3,5 bilhões de anos.

O estudo foca na distribuição irregular de gelo nas crateras do Polo Sul, buscando explicar por que algumas regiões possuem esse recurso e outras não. A análise sugere que a quantidade de gelo está correlacionada à idade das crateras, sendo que as mais antigas apresentam maior concentração. Esse fenômeno é atribuído aos "poços frios", áreas polares que permanecem em escuridão permanente, funcionando como câmaras de conservação que impedem a evaporação do gelo.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores utilizaram simulações computacionais e dados térmicos da NASA para reconstruir as variações na inclinação da Lua. Como a orientação do satélite mudou com o tempo, algumas crateras ficaram expostas à sombra por períodos mais longos. O cráter Haworth, próximo ao Polo Sul, é citado como um exemplo de local que pode ter permanecido no escuro por mais de 3 bilhões de anos, concentrando assim mais gelo.

A origem dessa água pode ter vindo de três fontes distintas. A primeira seria a deposição de moléculas através de impactos de asteroides e cometas. A segunda hipótese envolve o vento solar, no qual o hidrogênio transportado por partículas do Sol reagiria com o oxigênio do regolito lunar. Por fim, a atividade vulcânica primitiva da Lua teria liberado vapor de água do interior do satélite, que posteriormente ficaria retido nas zonas frias.

A presença desse recurso altera a viabilidade de missões espaciais a longo prazo. O gelo lunar pode ser processado para a obtenção de água potável, geração de oxigênio e produção de combustível para foguetes, mediante a separação de hidrogênio e oxigênio. A utilização de recursos locais reduziria a complexidade e os custos de transporte da Terra, facilitando a implementação de bases permanentes.

Apesar dos avanços, a origem exata da água ainda não foi determinada com precisão. A confirmação definitiva depende de futuras missões que realizem a análise direta de amostras de gelo ou o seu transporte para laboratórios terrestres.

Notícias Relacionadas