Ciência

Estudo indica que a cafeína reduz a atividade de ondas lentas e prejudica o sono profundo

07 de Junho de 2026 às 06:08

Revisão de 32 estudos publicada na revista Nutrients indica que a cafeína reduz ondas lentas do cérebro e prejudica o sono profundo. A pesquisa revela que a percepção subjetiva de descanso não condiz com as medições técnicas da atividade cerebral. O impacto depende da dose total diária e da capacidade metabólica individual

Estudo indica que a cafeína reduz a atividade de ondas lentas e prejudica o sono profundo
Pexels/Lucas Andrade

O consumo de café após as refeições pode comprometer a qualidade do descanso noturno de maneira mais profunda do que a percepção individual sugere. Uma revisão científica publicada na revista *Nutrients*, realizada por pesquisadores da Polônia, analisou 32 estudos para compreender como a cafeína interfere nos sinais elétricos do cérebro durante o sono.

A investigação utilizou a eletroencefalografia para monitorar a atividade cerebral, focando especialmente nas fases do sono não REM. Os dados revelam que a cafeína reduz a atividade de ondas lentas, elemento essencial para a ocorrência do sono profundo. Essa alteração na arquitetura neurofisiológica prejudica a recuperação homeostática do organismo, resultando em um descanso menos profundo.

Um ponto crítico identificado pelos cientistas é a discrepância entre a sensação de bem-estar e a realidade biológica. Mesmo que indivíduos relatem ter dormido as horas recomendadas e acordem sentindo-se recuperados após consumir cafeína à tarde ou à noite, as medições objetivas indicam padrões de sono semelhantes ao estado de vigília. A percepção subjetiva sobre a qualidade do descanso não acompanha, de forma consistente, as alterações medidas tecnicamente.

Embora a recomendação médica comum seja evitar a substância seis horas antes de deitar, a análise indica que outros fatores são determinantes. Donata Kurpas, da Universidade Médica de Breslávia, pontua que o impacto não depende apenas da última xícara do dia, mas também da quantidade total de cafeína ingerida ao longo das 24 horas e da capacidade metabólica de cada organismo para processar a substância antes do anoitecer.

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