Estudo indica que a superfície de Vênus pode ter preservado vestígios de missões espaciais soviéticas
Estudo na revista Geoarchaeology indica que a superfície de Vênus pode ter preservado vestígios de ao menos sete sondas do programa soviético Venera. Testes da NASA com a sonda Pioneer Venus Day Probe mostraram que componentes de titânio e alumínio resistiram às condições extremas do planeta
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Um estudo publicado na revista *Geoarchaeology* indica que a superfície de Vênus pode ter preservado vestígios de missões espaciais soviéticas, contrariando a percepção de que o ambiente extremo do planeta destruiria rapidamente qualquer objeto humano. A análise focou no programa Venera, realizado pela extinta URSS entre 1965 e 1985, e sugere que ao menos sete das 15 sondas enviadas naquele período poderiam ter deixado materiais reconhecíveis em solo venusiano.
Embora Vênus possua massa, tamanho e composição semelhantes aos da Terra, o planeta é caracterizado por pressões atmosféricas intensas e temperaturas capazes de derreter chumbo. Essas condições limitaram a vida útil das sondas Venera, que transmitiram dados e imagens por períodos variados, entre 23 minutos e 2 horas. No entanto, a pesquisa aponta que a estabilidade climática global e a lentidão dos processos geológicos do planeta favorecem a conservação parcial de artefatos, desde que os materiais suportem a exposição prolongada.
Para testar essa hipótese, pesquisadores utilizaram o laboratório GEER da NASA, que simula atmosferas extremas, para analisar o comportamento da sonda americana *Pioneer Venus Day Probe*. Lançada em 1978, a nave transmitiu informações por 67 minutos e 37 segundos após o impacto na superfície, cessando as atividades devido ao esgotamento energético, à pressão e ao calor.
Os testes laboratoriais revelaram que componentes de titânio da estrutura apresentaram alta resistência e que peças de alumínio mantiveram grande parte de sua forma original. A deterioração ocorreu principalmente em selos e juntas internas. A possibilidade de a superfície de Vênus abrigar relíquias da corrida espacial fundamenta o interesse em futuras expedições, como as missões DaVinci e Veritas, que poderão investigar a persistência desses materiais no planeta.