Ciência

Estudo indica que Anomalia Magnética do Atlântico Sul faz parte de um comportamento recorrente da Terra

05 de Maio de 2026 às 15:11

Pesquisa na PNAS indica que a Anomalia Magnética do Atlântico Sul é um fenômeno recorrente, originado no Oceano Índico há cerca de 900 anos. O estudo utilizou arqueointensidade em cerâmicas para identificar que a trajetória atual repete padrões ocorridos entre os anos 1 e 850 d.C. Dados da NASA e ESA registram a expansão e o enfraquecimento da área afetada

Uma pesquisa publicada na PNAS revela que a Anomalia Magnética do Atlântico Sul, região de campo magnético enfraquecido situada sobre o Brasil e o Atlântico Sul, não é um evento isolado, mas parte de um comportamento recorrente do campo geomagnético da Terra. O estudo indica que o fenômeno atual teve origem no Oceano Índico há aproximadamente 900 anos, migrando para oeste, atravessando a África, até se instalar na América do Sul.

O modelo científico sugere que essa trajetória não é inédita. Entre os anos 1 e 850 d.C., uma anomalia semelhante teria percorrido praticamente a mesma rota, evidenciando que o núcleo do planeta e a região abaixo do continente africano reproduzem padrões magnéticos em escalas temporais extensas. Essa dinâmica está vinculada ao funcionamento do núcleo externo líquido e às suas interações com o manto terrestre sob a África.

Para mapear esse deslocamento secular, os pesquisadores utilizaram a arqueointensidade, analisando 41 amostras de materiais arqueológicos queimados no centro da América do Sul dos últimos dois mil anos. Através do método Thellier–Thellier, foi possível extrair a intensidade do campo magnético registrada por minerais em cerâmicas no momento de seu aquecimento, preenchendo lacunas históricas e sustentando a tese de que a anomalia atual integra uma sequência antiga.

Embora não cause impactos visíveis na superfície, a região é monitorada rigorosamente por agências espaciais, como a NASA e a ESA, por meio de missões como a Swarm. A fragilidade do escudo magnético nessa área permite que partículas energéticas e radiação cheguem mais perto da superfície, elevando o risco de danos em hardware, falhas em instrumentos e interrupções em satélites que operam em órbita baixa.

Dados recentes apontam que a anomalia continua em transformação. A NASA registrou a expansão do fenômeno para oeste e seu enfraquecimento, enquanto a ESA informou, em 2025, que a área cresceu desde 2014 em uma extensão quase equivalente à metade da Europa continental, com um enfraquecimento mais acelerado em direção à África.

A descoberta afasta interpretações alarmistas sobre uma iminente reversão dos polos magnéticos, reforçando a natureza cíclica do processo. O Brasil, por estar no centro da área afetada, torna-se um ponto estratégico para o monitoramento dessas mudanças e para a previsão de efeitos sobre a infraestrutura tecnológica sensível à radiação.

Apesar dos avanços, permanecem questionamentos sobre como as estruturas profundas sob a África controlam esse comportamento e por que rotas específicas de enfraquecimento reaparecem. O acompanhamento contínuo será necessário para determinar se a anomalia manterá o padrão atual ou se passará por nova reorganização.

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