Ciência

Estudo indica que dois planetas gigantes orbitaram a região de Urano e Netuno no passado

11 de Junho de 2026 às 06:33

Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins identificaram dois planetas gigantes que orbitaram a região de Urano e Netuno no início do sistema solar. O estudo, publicado na revista Icarus, indica que esses corpos foram expulsos para o espaço interestelar após rebote gravitacional. A análise utilizou modelos computacionais para observar influências nas luas de Júpiter e Urano

Estudo indica que dois planetas gigantes orbitaram a região de Urano e Netuno no passado
EFE/ESO/L. Carçada/Nick Risinger

Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins identificaram evidências de que dois planetas gigantes orbitaram a região de Urano e Netuno nos primórdios do sistema solar. O estudo, publicado na revista Icarus, indica que esses corpos celestes, com massa situada entre a da Terra e a de Netuno, foram posteriormente expulsos para o espaço interestelar após um processo de rebote gravitacional mútuo.

A análise, conduzida por uma equipe liderada por Matthew Clement, utilizou modelos computacionais e simulações numéricas para reproduzir as interações astronômicas ao longo de 20 milhões de anos. Os dados revelam que a configuração primitiva do sistema solar externo era mais massiva e caótica do que as teorias anteriores sugeriam, deixando marcas permanentes nas trajetórias dos satélites naturais.

No sistema de Júpiter, a influência desses dois planetas supermassivos é observada na ressonância orbital rigorosa e na sincronia matemática das luas Ío, Europa e Ganimedes, configuração que teria sido mantida graças à presença desses astros adicionais. Já no entorno de Urano, a passagem de um desses planetas massivos provocou instabilidade gravitacional, resultando em colisões sucessivas entre os corpos orbitais.

Esses impactos fragmentaram parcialmente as luas de Urano e vaporizaram materiais voláteis, como o gelo. De acordo com Nathan Kaib, do Planetary Science Institute, esse processo explica a composição anômala de Miranda, que apresenta 50% mais gelo do que as demais luas do planeta.

A investigação da Universidade Johns Hopkins seguirá agora com a análise detalhada das anomalias superficiais nas luas de Urano, buscando confirmar as consequências físicas dessas instabilidades orbitais e compreender melhor o mecanismo de formação do ambiente planetário.

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