Estudo indica que dormir menos de seis ou mais de oito horas acelera envelhecimento biológico
Estudo da revista Nature com quase 500 mil pessoas indica que dormir menos de seis ou mais de oito horas acelera o envelhecimento biológico e aumenta a mortalidade. O equilíbrio ideal para minimizar esse desgaste ocorre entre 6,4 e 7,8 horas diárias. Padrões anormais de sono foram associados a 153 doenças sistêmicas
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/l/y/fmXPcNRtqmAeOxITBj3g/adobestock-478075171.jpeg)
A duração do sono impacta diretamente o envelhecimento biológico de diversos órgãos e sistemas do corpo humano, elevando o risco de doenças e a mortalidade. Um estudo publicado na revista *Nature*, que analisou dados de quase 500 mil pessoas do banco britânico UK Biobank, revelou que dormir menos de seis horas ou mais de oito horas por noite está associado ao desgaste acelerado do organismo.
Para mensurar esse processo, os cientistas utilizaram 23 "relógios biológicos" baseados em estudos metabólicos, análises de proteínas do plasma e exames de ressonância magnética. Essas ferramentas estimam a idade biológica, que reflete o desgaste real do corpo independentemente da idade cronológica. Dos indicadores avaliados, nove mostraram uma relação significativa entre o tempo de sono e o envelhecimento precoce, afetando sistemas como o imunológico, endócrino, pele, pâncreas, fígado, pulmão, cérebro e tecido adiposo.
O equilíbrio ideal para minimizar esse envelhecimento biológico foi identificado entre 6,4 e 7,8 horas de sono por noite, com variações sutis entre homens e mulheres.
A pesquisa conectou padrões anormais de sono a 153 doenças sistêmicas, evidenciando que o impacto do descanso vai além da função cerebral. O sono insuficiente (menos de seis horas) apresentou a associação mais ampla com problemas de saúde. Entre as patologias relacionadas estão a obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, arritmias, doença cardíaca isquêmica, asma, bronquite e doença pulmonar obstrutiva crônica, além de distúrbios digestivos como gastrite, refluxo e síndrome do intestino irritável. No campo da saúde mental, a privação de sono foi ligada a transtornos de ansiedade, episódios depressivos, enxaquecas e uso de substâncias.
Já o sono prolongado (mais de oito horas) demonstrou uma correlação mais concentrada em doenças cerebrais e transtornos neuropsiquiátricos, incluindo esquizofrenia, transtorno bipolar, TDAH, dependência alcoólica e depressão maior.
Essas diferenças sugerem que o sono curto e o prolongado operam por mecanismos biológicos distintos. No caso da depressão na terceira idade, o sono curto parece ter uma ligação mais direta com a doença, enquanto o sono longo atuaria de forma indireta, mediada por sinais de envelhecimento no fígado, cérebro e tecido adiposo. Junhao Wen, professor assistente de radiologia da Faculdade de Médicos e Cirurgiões Vagelos da Universidade Columbia e líder do estudo, ressalta que essas vias biológicas diferentes implicam que o gerenciamento do sono e as terapias futuras não devem tratar esses dois grupos da mesma maneira.
O impacto na longevidade também foi mensurado: o risco de morte por qualquer causa aumentou 50% entre pessoas com sono curto e 40% entre aquelas com sono prolongado. Embora os autores reforcem que a melhora do sono é uma estratégia potencial para promover a saúde e a longevidade, eles pontuam que o estudo não estabelece uma relação direta de causa e efeito entre a duração do sono e o envelhecimento biológico.