Ciência

Estudo indica que e-mail favorece a saúde mental de idosos enquanto redes sociais a prejudicam

25 de Junho de 2026 às 06:09

Estudo da Universidade de York com 13.536 idosos canadenses associou o uso de e-mail a avaliações positivas do bem-estar psicológico e as redes sociais a percepções negativas da saúde mental. A pesquisa, publicada na revista PLOS Global Public Health, indica que a conectividade digital não garante benefícios psicológicos

Estudo indica que e-mail favorece a saúde mental de idosos enquanto redes sociais a prejudicam
Adobe Stock

Diferentes ferramentas de comunicação digital impactam de formas distintas a percepção da saúde mental de pessoas com 55 anos ou mais. Um estudo conduzido por Hossam Ali-Hassan, da Universidade de York, no Canadá, e publicado nesta terça-feira (24) na revista *PLOS Global Public Health*, revelou que, enquanto o uso de e-mail está associado a avaliações mais positivas do bem-estar psicológico, as redes sociais relacionam-se a uma percepção pior do estado mental.

A análise baseou-se em dados de 2022 da Pesquisa Canadense de Uso da Internet, realizada pelo Statistics Canada, e contou com a participação de 13.536 idosos. O objetivo foi comparar as ferramentas digitais utilizadas nos três meses anteriores à coleta de dados com a saúde mental relatada pelos voluntários. Os resultados indicam que a simples conectividade não garante benefícios psicológicos, embora a inclusão digital seja expressiva: em 2022, 83% dos idosos canadenses participaram de atividades online.

O e-mail foi a única ferramenta analisada que apresentou associação positiva significativa com a saúde mental. A hipótese é que a natureza estruturada e menos imediata dessa comunicação permita que o usuário responda no próprio ritmo, aumentando a sensação de controle sobre as interações sociais e facilitando o contato com amigos e familiares, o que reduziria a solidão e o isolamento.

Em contrapartida, o uso de redes sociais foi vinculado a avaliações psicológicas mais negativas. Os pesquisadores sugerem que isso ocorra devido à exposição a conteúdos perturbadores e ao processo de comparação social, no qual o indivíduo avalia a própria vida com base nas imagens e experiências compartilhadas por terceiros. O estudo menciona ainda que a literatura científica apresenta resultados contraditórios sobre a relação entre atividades online e o aumento de sintomas de depressão e ansiedade em idosos.

Quanto à distribuição do uso tecnológico entre os participantes, 80,2% utilizavam e-mail, 59,6% faziam uso de aplicativos de mensagens instantâneas, 52,3% acessavam redes sociais e 44,4% realizavam chamadas de voz ou vídeo via internet. No entanto, o bem-estar psicológico não apresentou relação estatística com o uso de sites de relacionamento, plataformas de compartilhamento de conteúdo, chamadas de voz ou vídeo online, nem com aplicativos de mensagens.

Sobre a percepção geral de saúde mental do grupo, 60,6% a classificaram como "excelente" ou "muito boa", enquanto apenas 1,7% a consideraram ruim. Fatores sociodemográficos também influenciaram esses índices: pessoas com 65 anos ou mais, aquelas empregadas, com diploma universitário, renda anual superior a 42 mil dólares canadenses e que viviam em residências com duas pessoas relataram melhor saúde mental do que os demais grupos.

Os autores ressaltam que, por ser um estudo transversal, os dados identificam associações, mas não estabelecem causalidade. Portanto, não se pode afirmar que as redes sociais causem a piora da saúde mental ou que o e-mail a melhore, existindo a possibilidade de que a condição psicológica do indivíduo influencie a escolha da plataforma. Outras limitações incluem a ausência de dados sobre a frequência e duração do uso das ferramentas, além do fato de a saúde mental ter sido medida por autorrelato.

A compreensão dessas distinções entre as ferramentas digitais pode, segundo os pesquisadores, orientar a criação de políticas públicas e estratégias de apoio ao bem-estar mental de uma população em processo de envelhecimento e cada vez mais conectada.

Com informações de G1

Notícias Relacionadas