Estudo indica que fusões de buracos negros podem carregar marcas de matéria escura
Estudo publicado na Physical Review Letters propõe modelo para identificar matéria escura em ondas gravitacionais de fusões de buracos negros. A análise de dados do LIGO-Virgo-KAGRA indicou a presença desse componente nos eventos GW190728 e GW190814. Os autores afirmam que a significância estatística atual é insuficiente para confirmar a detecção

A análise de sinais captados pelos observatórios LIGO-Virgo-KAGRA revelou indícios de que fusões de buracos negros podem carregar marcas de matéria escura em suas ondas gravitacionais. A proposta, detalhada em estudo publicado na Physical Review Letters, apresenta um modelo para identificar a presença desse componente invisível, que estima-se representar mais de 85% da matéria do Universo.
Como a matéria escura não interage com a luz ou campos magnéticos, sua existência é deduzida apenas por meio da gravidade, especialmente pela curvatura observada em galáxias distantes. A pesquisa investigou a hipótese de que partículas escalares leves, com massa significativamente inferior à dos elétrons, possam se concentrar ao redor de buracos negros em rotação rápida. Nesse cenário, ocorre a superradiância, processo em que a matéria escura ganha densidade ao absorver parte da energia rotacional do buraco negro, comportando-se como ondas coordenadas.
Para detectar as alterações que esse ambiente escalar imprime na dinâmica de fusão de buracos negros, Josu Aurrekoetxea e sua equipe criaram um modelo semianalítico de forma de onda para sistemas binários, validado por meio de simulações de relatividade numérica.
A metodologia foi aplicada via análise bayesiana ao catálogo de dados do LIGO-Virgo-KAGRA. Dos 28 sinais nítidos registrados nas três primeiras etapas de observação, 27 foram classificados como fusões ocorridas no vácuo. Contudo, o evento GW190728 apresentou indícios de um ambiente associado à matéria escura, enquanto no sinal GW190814 o vácuo foi excluído da região de 95% de confiança.
Apesar dos achados, os autores ressaltam que não houve uma detecção confirmada. A significância estatística atual é insuficiente para validar a descoberta, tornando indispensáveis verificações independentes para a confirmação dos dados.