Estudo indica que gelo em crateras lunares se acumulou gradualmente por bilhões de anos
Estudo publicado na Nature Astronomy indica que o gelo em crateras lunares acumulou-se gradualmente por até 3,5 bilhões de anos. A pesquisa utilizou simulações computacionais e dados da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter para identificar a maior concentração de água no polo sul
A água congelada nas crateras lunares não resultou de um evento único, como o impacto de um cometa, mas foi acumulada gradualmente ao longo de um período de até 3,5 bilhões de anos. A conclusão consta em um estudo internacional publicado nesta terça-feira (7) na revista Nature Astronomy, que esclarece por que o gelo apresenta distribuição irregular na superfície do satélite.
A pesquisa identificou que as crateras mais antigas, localizadas principalmente no polo sul, concentram as maiores quantidades de gelo. Esse padrão indica um processo contínuo de deposição. Para chegar a esse resultado, os pesquisadores combinaram simulações computacionais sobre a evolução das crateras e a permanência de sombras com dados de temperatura da superfície obtidos pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter, lançada em 2009.
O estudo aponta que a água pode ter vindo de múltiplas fontes ao longo de bilhões de anos. Entre as possibilidades estão a liberação de água do interior da Lua por atividade vulcânica antiga, a chegada de asteroides e cometas ricos em gelo e a reação de átomos de hidrogênio do vento solar com o oxigênio da superfície lunar.
O fator determinante para a preservação desse recurso foram as "armadilhas frias": crateras profundas nos polos que, por nunca receberem luz solar, mantêm temperaturas extremamente baixas. A cratera Haworth é um exemplo, podendo estar em sombra permanente há mais de 3 bilhões de anos, o que a torna um dos locais mais promissores para o armazenamento de gelo.
Essa descoberta possui implicações estratégicas para a exploração espacial, especialmente para o programa Artemis, da NASA, que prevê o envio de astronautas ao polo sul lunar. O gelo pode ser derretido para consumo humano ou decomposto via eletrólise para a produção de oxigênio respirável e hidrogênio, utilizado como combustível de foguetes. A capacidade de produzir suprimentos localmente reduziria os custos de transporte desde a Terra e viabilizaria missões de longa duração.
Apesar dos dados orbitais e dos modelos computacionais, a confirmação definitiva sobre a origem e a quantidade exata de água depende de análises diretas de amostras, que ainda não foram coletadas de crateras em sombra permanente. Para avançar nessa etapa, novos instrumentos devem ser enviados ao polo sul a partir de 2027 para mapear a concentração de gelo com maior precisão.