Ciência

Estudo indica que gerações Millennials e Z apresentam envelhecimento biológico acelerado e maior risco de câncer

30 de Junho de 2026 às 18:10

Estudo da Washington University School of Medicine indica envelhecimento biológico acelerado em Millennials e Geração Z, elevando o risco de cânceres precoces. A pesquisa com dados do UK Biobank e All of Us associou o desgaste celular a fatores como obesidade, sedentarismo e má alimentação. O aumento do envelhecimento sistêmico correlaciona-se a maior incidência de tumores gastrointestinais, uterinos e de pulmão

Estudo indica que gerações Millennials e Z apresentam envelhecimento biológico acelerado e maior risco de câncer
Francis Crick Institute/Anne Weston/CC BY-NC 4.0

Um estudo publicado na revista *Nature Medicine* indica que indivíduos das gerações Millennials e Z apresentam sinais de envelhecimento biológico acelerado em comparação com as gerações de seus pais. A pesquisa, conduzida pela Washington University School of Medicine em St. Louis como parte do projeto Prospect de Cancer Grand Challenges, associa esse desgaste celular prematuro a um risco elevado de desenvolvimento de certos tipos de câncer em idades mais jovens.

A investigação baseou-se na distinção entre a idade cronológica e a idade biológica, que é determinada pela análise de biomarcadores. Quando o organismo acumula danos celulares acima do esperado, o perfil biológico de uma pessoa pode parecer mais velho do que a idade marcada no calendário. Para mensurar esse fenômeno, a equipe liderada por Yin Cao utilizou os sistemas Klemera-Doubal e PhenoAge, que integram marcadores sanguíneos de funções metabólicas, renais e hepáticas.

A análise abrangeu dados de mais de 154 mil pessoas do UK Biobank e cerca de 10 mil participantes do programa All of Us, nos Estados Unidos. No Reino Unido, observou-se que pessoas nascidas entre 1965 e 1974 apresentaram um envelhecimento sistêmico 23% superior ao grupo nascido entre 1950 e 1954, após o ajuste pela idade cronológica. Nos Estados Unidos, a tendência foi ainda mais acentuada: indivíduos nascidos entre 1990 e 1999 exibiram um envelhecimento sistêmico 92% maior do que aqueles nascidos entre 1965 e 1969.

O estudo revelou que cada aumento de um desvio padrão no envelhecimento biológico eleva em 8% o risco de cânceres sólidos precoces. Além disso, pessoas com envelhecimento sistêmico mais avançado possuem um risco 15% maior de desenvolver a doença do que aquelas com perfis biológicos preservados, com maior incidência de tumores uterinos, gastrointestinais e de pulmão.

A análise detalhada por órgãos mostrou que o envelhecimento do tecido adiposo está ligado ao câncer colorretal precoce, enquanto a deterioração do sistema imunológico relaciona-se ao câncer de pulmão em jovens.

Os pesquisadores não atribuem o desgaste celular a uma causa única, mas a um conjunto de fatores que incluem sedentarismo, má alimentação, consumo de álcool, obesidade, desregulação metabólica e influências ambientais e sociais. O objetivo atual é compreender como esses elementos interagem ao longo da vida, já que o impacto individual de cada fator tende a ser limitado.

Embora a probabilidade de câncer continue sendo significativamente maior em idades avançadas, o aumento relativo entre adultos jovens indica transformações profundas na saúde das novas gerações. De acordo com Yin Cao, a identificação de jovens com maior risco enquanto ainda estão saudáveis permite a aplicação de estratégias de detecção precoce e prevenção. David Scott, diretor do Cancer Grand Challenges, complementa que a descoberta auxilia a compreender o câncer não como um evento celular isolado, mas como resultado de mudanças sistêmicas no organismo.

Com informações de El Confidencial

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