Ciência

Estudo indica que indicadores metabólicos a partir dos 60 anos podem prever a longevidade extrema

10 de Abril de 2026 às 09:17

Estudo com 44 mil suecos indica que a longevidade extrema está ligada a baixos níveis de glicose, creatinina e ácido úrico a partir dos 60 anos. A pesquisa, publicada no Journal of Internal Medicine, associa a sobrevivência aos 100 anos ao funcionamento otimizado de rins e fígado

A análise de dados de 44 mil suecos que realizaram exames de saúde entre os 64 e 99 anos revelou que a longevidade extrema está associada a perfis metabólicos específicos e ao funcionamento otimizado de órgãos como fígado e rins. O estudo, publicado no Journal of Internal Medicine, identificou que pessoas que atingem os 100 anos apresentam, já a partir dos 60, níveis mais baixos de ácido úrico, creatinina e glicose.

A função renal surge como um pilar central para a sobrevivência excepcional. Indivíduos com níveis de creatinina mantidos em faixas estreitas de normalidade possuem chances significativamente maiores de se tornarem centenários, evidenciando que a filtragem sanguínea eficiente evita o acúmulo de toxinas que aceleram o envelhecimento das células. Da mesma forma, a manutenção de baixos níveis de ácido úrico sugere uma resistência natural a doenças inflamatórias crônicas.

O controle glicêmico também é um fator determinante. Centenários raramente apresentaram valores de glicose acima de 6,5 mmol/L em idades precoces. Mesmo em pessoas sem diabetes, a baixa concentração de açúcar no sangue retarda o envelhecimento, evitando a glicação, processo que prejudica a função nervosa e a elasticidade das artérias.

A investigação demonstrou que a longevidade não depende de um único gene, mas de uma orquestração estável de sistemas biológicos. Além dos indicadores metabólicos, a resiliência do sistema imunológico e a preservação da massa muscular após os 80 anos estão ligadas a níveis adequados de albumina e ferro.

Os resultados indicam que o equilíbrio químico do corpo em idades intermediárias define o potencial de sobrevivência para as fases tardias. Dessa forma, exames de sangue rotineiros a partir dos 60 anos podem servir como preditores da expectativa de vida, permitindo que médicos identifiquem sinais de alerta décadas antes da manifestação de doenças graves.

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