Estudo indica que o cérebro processa informações complexas mesmo sob efeito de anestesia geral
Pesquisadores do Baylor College of Medicine detectaram atividade no hipocampo de sete pacientes sob anestesia geral, processando sons e elementos gramaticais. O estudo, publicado na Nature, utilizou microeletrodos Neuropixels para identificar aprendizado auditivo e codificação preditiva durante a inconsciência
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Pesquisadores do Baylor College of Medicine identificaram que áreas do cérebro humano permanecem ativas e capazes de processar informações complexas mesmo sob anestesia geral. O estudo, publicado na revista Nature, utilizou microeletrodos de alta resolução, chamados Neuropixels, para monitorar a atividade de centenas de neurônios individuais em sete pacientes submetidos a cirurgias de epilepsia. O foco da análise foi o hipocampo, estrutura profunda ligada ao aprendizado e à memória, superando observações anteriores que se limitavam a respostas residuais no córtex.
Durante os testes, a equipe reproduziu sequências de tons repetitivos interrompidas por sons inesperados. Os dados revelaram picos de atividade neuronal diante desses estímulos raros, com a detecção de que as respostas melhoravam com o tempo, indicando a ocorrência de adaptação ou aprendizado auditivo durante o estado de inconsciência.
A complexidade do processamento foi testada com a exposição dos pacientes a podcasts narrativos e vídeos educativos. Os registros no hipocampo mostraram que o cérebro reagia a elementos gramaticais, como verbos, adjetivos e nomes. O estudo detectou, ainda, sinais de codificação preditiva, mecanismo no qual o cérebro antecipa a próxima palavra de uma frase, função habitualmente associada ao estado de vigília e atenção.
A atividade observada não indica que os pacientes estivessem conscientes ou que possuam lembranças do período, mas demonstra que certas operações cerebrais funcionam independentemente da experiência consciente. Esse achado contribui para a compreensão do funcionamento cerebral em estados de coma, sono ou anestesia.
Devido ao tamanho reduzido da amostra e ao uso exclusivo do propofol como anestésico, os autores ressaltam que não é possível generalizar esses resultados para outros medicamentos ou tipos de inconsciência. Apesar disso, a descoberta sugere a possibilidade de aplicações futuras, como o uso desses sinais para a ativação de próteses de fala em pacientes com lesões cerebrais ou sequelas de AVC.