Estudo indica que satélites russos causaram falhas simultâneas no sinal de GPS na Europa
Estudo da Universidade do Texas identificou 75 falhas simultâneas no sinal de GPS na Europa entre 2019 e 2026. As interrupções, com menos de 10 segundos, coincidiram com a posição de satélites russos de alerta de mísseis, como o Kosmos 2546. As ocorrências concentraram-se na frequência de 1.577,5 MHz em dias úteis
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Uma análise de dados de estações de rastreamento GNSS revelou que a sinalização de GPS na Europa enfrentou 75 falhas breves e simultâneas entre 2019 e 2026. O estudo, conduzido por Todd Humphreys, da Universidade do Texas em Austin, indica que essas interrupções, com duração inferior a 10 segundos, podem ter sido causadas por interferências originadas em satélites russos.
As quedas na qualidade do sinal ocorreram simultaneamente em regiões geograficamente distantes, abrangendo desde a Polônia e a Espanha até o Canadá. Devido a essa escala continental, a equipe de pesquisa descartou a possibilidade de sistemas terrestres convencionais, situando a fonte da interferência a mais de 1.200 km de altitude.
O problema concentrou-se na frequência de 1.577,5 MHz, faixa próxima à banda L1 do GPS, essencial para a navegação civil, o transporte marítimo, a aviação e a sincronização de precisão. A detecção de pulsos de alta potência nessa frequência específica é apontada pelos autores como um fator de preocupação.
Para identificar a origem, os pesquisadores cruzaram medições de rádio com catálogos orbitais, eliminando satélites que não estavam posicionados nas áreas afetadas durante os episódios. O processo apontou para a constelação russa de alerta precoce de mísseis, voltada à detecção de lançamentos balísticos, com destaque para o satélite Kosmos 2546, cujas posições coincidiram com precisão com os eventos.
A natureza das interrupções sugere operações programadas, já que as falhas ocorreram predominantemente às terças, quartas e quintas-feiras, durante o horário comercial. Diante desse padrão, Humphreys avalia que as ocorrências não sejam acidentais, mas sim testes periódicos de capacidades de guerra eletrônica que, se aplicadas com intenção hostil, teriam efeitos prejudiciais.
O trabalho foi divulgado no servidor de pré-publicações arXiv e enviado para revisão na revista Navigation, alertando para as implicações dessas capacidades em futuros conflitos.