Estudo indica que seca gradual contribuiu para o desaparecimento de assentamentos vikings na Groenlândia
Estudo da Universidade de Massachusetts Amherst com sedimentos do lago Igaliku indica que a seca progressiva, e não apenas o resfriamento climático, comprometeu a agricultura e a pecuária dos vikings no sul da Groenlândia. A análise de lipídios e ceras de folhas revelou que a redução de chuvas inviabilizou a manutenção do gado, contribuindo para o colapso dos assentamentos no início do século XV
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Uma análise de sedimentos do lago Igaliku, localizado próximo a antigas fazendas nórdicas no sul da Groenlândia, trouxe novos elementos para a compreensão do desaparecimento dos assentamentos vikings no início do século XV. O estudo, publicado na revista Science Advances, questiona a tese de que a "Pequena Idade do Gelo" e o consequente resfriamento climático teriam sido os únicos responsáveis por tornar a agricultura inviável na região.
A pesquisa, conduzida por pesquisadores da Universidade de Massachusetts Amherst, identificou que os registros climáticos utilizados anteriormente eram imprecisos, pois baseavam-se em núcleos de gelo coletados a mais de 2.000 metros de altitude e a 1.000 quilômetros de distância das comunidades. Para corrigir essa lacuna, a equipe coletou amostras do lago 578 ao longo de três anos, obtendo dados climáticos de um período de 2.000 anos, o que permitiu comparar as condições ambientais antes e depois da presença viking.
A metodologia consistiu na análise de dois indicadores específicos: o lipídio BrGDGT, utilizado para reconstruir variações de temperatura, e ceras de folhas de plantas, que permitem estimar a perda de água por evaporação em pastagens e espécies destinadas à alimentação do gado. Os resultados indicaram que, embora a temperatura tenha apresentado pouca variação durante a permanência dos nórdicos no sul da Groenlândia, houve um processo de ressecamento progressivo do clima.
Essa seca gradual comprometeu a base econômica dos colonos, que haviam estabelecido o Assentamento Oriental por volta de 985, sustentando cerca de 2.000 pessoas. O modelo agrícola dependia de forragem armazenada para manter vacas, ovelhas e cabras em estábulos durante o inverno; com a redução das chuvas e a consequente diminuição da grama, a manutenção dos animais tornou-se insustentável.
Como resposta à crise hídrica, parte da população migrou para a caça de mamíferos marinhos, atividade mais arriscada que a pecuária. O declínio do Assentamento Oriental foi, portanto, resultado de um conjunto de fatores, incluindo pressões econômicas, sociais e o avanço do gelo, que dificultava a conexão com a Europa, mas com as mudanças hidrológicas desempenhando um papel central no colapso das comunidades.