Ciência

Estudo revela fatores que permitem à Grande Pirâmide de Gizé resistir a abalos sísmicos

26 de Maio de 2026 às 06:15

Estudo do Instituto Nacional de Pesquisa em Astronomia e Geofísica do Egito identificou que a Grande Pirâmide de Gizé resiste a terremotos devido à sua frequência de vibração homogênea e à diferença vibracional em relação ao solo. A estabilidade é assegurada por fatores geométricos, fundação em rocha calcária e câmaras de alívio que dissipam a energia sísmica

Estudo revela fatores que permitem à Grande Pirâmide de Gizé resistir a abalos sísmicos
Osama Elsayed/ Unsplash

A Grande Pirâmide de Gizé, erguida há aproximadamente 4,6 mil anos, mantém sua integridade estrutural apesar de ter enfrentado diversos abalos sísmicos, como os terremotos de 1847, com magnitude 6,8, e de 1992, de 5,8 pontos. Um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisa em Astronomia e Geofísica (NRIAG), do Egito, e publicado na revista *Scientific Reports*, analisou os fatores que permitem que o monumento de Quéops resista a tais eventos sem danos significativos.

A pesquisa baseou-se no registro de vibrações ambientais, causadas por mudanças climáticas ou atividades humanas, em 37 pontos distintos, abrangendo o solo adjacente, os blocos de construção e as câmaras internas. Os dados revelaram que a pirâmide possui uma frequência natural de vibração homogênea, situada entre 2 e 2,6 hertz. Essa característica indica que o monumento opera como uma estrutura coerente e integrada, o que reduz as tensões internas durante tremores, evitando que a edificação se comporte como um conjunto de partes conectadas de forma frouxa.

Outro fator determinante para a proteção do monumento é a diferença entre a frequência de vibração da pirâmide e a do solo ao redor. Essa disparidade impede a ocorrência de ressonância, fenômeno que amplifica as vibrações quando a estrutura e o terreno vibram em uníssono. A estabilidade é reforçada por elementos geométricos e físicos, como a base larga, o baixo centro de gravidade, a simetria da construção, a redução gradual da massa em direção ao topo e a fundação sobre um planalto de rocha calcária sólida.

A base de pedra calcária é fundamental para mitigar riscos sísmicos, pois minimiza assentamentos diferenciais e a amplificação do solo, apresentando baixo índice de vulnerabilidade. No interior da estrutura, as câmaras de alívio situadas acima da Câmara do Rei também desempenham papel crucial. Medições indicaram que a amplificação das vibrações diminui dentro dessas câmaras, sugerindo que elas dissipam a energia sísmica e protegem a câmara principal.

De acordo com Mohamed ElGabry, primeiro autor do artigo, essas soluções técnicas resultam de conhecimentos práticos e empíricos acumulados por gerações de construtores egípcios, desenvolvidos por meio de tentativa e erro, sem o suporte de teorias modernas de mecânica dos solos ou sismologia. Embora não existam evidências de que o projeto tenha sido concebido especificamente para resistir a terremotos, o objetivo era criar a estrutura mais durável e estável possível.

O estudo conclui que o projeto original permanece eficaz contra forças sísmicas e que a Pirâmide de Quéops deve continuar resistindo a futuros tremores, desde que não ocorram mudanças nas fundações ou danos internos graves.

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