Estudo revela formação de oxigênio em profundidades oceânicas sem luz solar ou fotossíntese
Um estudo publicado na revista Nature Geoscience afirma que oxigênio pode ser formado nos oceanos profundos sem luz solar. A hipótese é baseada no fenômeno de correntes elétricas em sedimentos metalíferos, mas outro estudo questiona as conclusões como incompatíveis com a termodinâmica. O debate continua entre os científicos sobre o método e resultados dos estudos
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F058%2Fd96%2F288%2F058d96288b81aefdbab7484a7f0ca42d.jpg)
Um estudo publicado na revista Nature Geoscience em julho de 2024 causou ondas no mundo científico ao revelar um fenômeno intrigante: a formação de oxigênio em profundidades oceânicas, onde a luz solar não chega e a fotossíntese não ocorre. Os pesquisadores da Universidade de Bristol propuseram uma hipótese para explicar esse fato: os nódulos polimétálicos e sedimentos metalíferos no fundo do mar permitiriam a passagem de correntes elétricas que induziriam um processo de eletrólise, separando o hidrogênio do oxigênio da água.
Essa descoberta teria implicações profundas em diversas áreas, incluindo a compreensão dos ciclos químicos nos oceanos profundos e a origem da vida na Terra. Além disso, poderia influenciar diretamente na avaliação ambiental da mineração submarina.
No entanto, outro estudo publicado na Frontiers questionou as conclusões do primeiro estudo, afirmando que elas são incompatíveis com as leis da termodinâmica. O físico Ángel Cuesta Ciscar foi particularmente enfático em sua crítica: "É como dizer que a energia é criada do nada". Ele argumentou que a eletrólise da água requer uma fonte de energia considerável, algo que não foi identificado no ambiente estudado.
Outro ponto crucial do debate está na metodologia utilizada. Segundo Anders Tengberg, os equipamentos não foram adequadamente ventilados ao descer ao fundo do mar, o que poderia ter causado a alteração das medições e geração de resultados enganosos. Além disso, análises posteriores detectaram oxigênio mesmo em experimentos sem nódulos.
A equipe original mantém sua posição, afirmando existirem evidências adicionais em análise e planejando uma nova expedição com robôs submarinos para verificar o fenômeno. Enquanto isso, a busca pelo "oxigênio escuro" continua, colocando em xeque os fundamentos da física moderna.
A disputa entre esses dois estudos coloca à prova as habilidades dos científicos e suas teorias sobre a formação de oxigênio nos oceanos profundos. Ainda é cedo para dizer qual conclusão será confirmada, mas o debate em andamento certamente vai influenciar futuras pesquisas nessa área.