Ciência

Estudo revela que a cor vermelha das Blood Falls na Antártida é causada pela oxidação de ferro

02 de Julho de 2026 às 06:24

Estudo na revista Antarctic Science revelou que as "Blood Falls", no glaciar Taylor, resultam da oxidação de ferro em salmoura subterrânea. Monitoramento em 2018 registrou a saída do líquido, que causou recuo de 15 milímetros na superfície e redução de quase 10% na progressão do gelo. A região abriga bactérias que utilizam sulfato como energia em ambiente sem luz e oxigênio

Estudo revela que a cor vermelha das Blood Falls na Antártida é causada pela oxidação de ferro
Wikimedia Commons/National Science Foundation/Peter Rejcek/Dominio Público

Um estudo publicado na revista *Antarctic Science* detalhou a dinâmica de escoamento da salmoura no glaciar Taylor, na Antártida, revelando como ocorrem os pulsos de água que formam as chamadas "Blood Falls". O fenômeno, que tinge o gelo de vermelho, é resultado da oxidação de ferro presente em uma salmoura aprisionada sob a superfície há pelo menos 1,5 milhão de anos. Quando esse líquido emerge e entra em contato com o oxigênio, a reação química gera a coloração característica, desmentindo a hipótese inicial de 1911, proposta pelo geólogo Griffith Taylor, que atribuía a cor a algas.

A pesquisa recente permitiu a observação direta de um desses episódios de descarga. Em setembro de 2018, instrumentos instalados por uma equipe liderada por Peter Doran, da Universidade Estadual da Louisiana — incluindo uma estação GPS, sensores de temperatura no lago abaixo da cachoeira e uma câmera de monitoramento diário —, registraram a resposta física do glaciar durante a saída da salmoura. Os dados indicaram que, nas semanas seguintes ao evento, a superfície do glaciar recuou cerca de 15 milímetros e sua progressão diminuiu quase 10%, enquanto a câmera documentou a expansão diária da mancha vermelha e os sensores detectaram anomalias de água fria no lago.

Esse processo é impulsionado pela pressão acumulada sob o gelo, que força a saída do líquido em pulsos. A movimentação da salmoura em ambientes gélidos é viabilizada por sua alta concentração de sal, que reduz o ponto de congelamento e libera calor durante a cristalização parcial da água, mantendo canais abertos. Anteriormente, em 2017, pesquisadores da Universidade de Alaska Fairbanks haviam mapeado via radar que esse trajeto ocorre por canais internos pressurizados de aproximadamente 300 metros.

Além da dinâmica geológica, a região abriga um ecossistema microbiano ativo a centenas de metros de profundidade. Isoladas do exterior, sem luz solar ou oxigênio, comunidades de bactérias adaptadas a condições extremas utilizam o sulfato como fonte primária de energia. A microbióloga Jill Mikucki, da Universidade de Tennessee, confirmou a existência desse sistema após anos de coleta de amostras da salmoura.

Devido a essas características, as Blood Falls servem como um modelo para a astrobiologia, permitindo simular a vida em ambientes escuros e pobres em oxigênio em outros corpos do sistema solar. O monitoramento da frequência e intensidade dessas descargas agora oferece a possibilidade de compreender melhor os processos internos do glaciar Taylor.

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