Estudo revela que a Terra transporta água dos oceanos para profundidades de 3.000 quilômetros
Estudo da revista Nature Geoscience comprovou que a Terra transporta água dos oceanos para profundidades de quase 3.000 quilômetros via zonas de subducção. O processo gera a camada E-prime, rica em hidrogênio, por meio da interação da água com o silício no núcleo externo. Essa dinâmica influencia a geração do campo magnético terrestre
Um estudo publicado em 2023 na revista Nature Geoscience comprovou que a Terra absorve água dos oceanos e a transporta para regiões situadas a quase 3.000 quilômetros abaixo da superfície. O fenômeno, anteriormente tratado como teoria, revela um ciclo geológico permanente que interliga os oceanos, o manto e o núcleo do planeta.
O mecanismo ocorre por meio das zonas de subducção, que atuam como esteiras naturais ao empurrar placas oceânicas ricas em minerais hidratados para o interior da Terra. À medida que esses minerais mergulham e a pressão aumenta, a água armazenada em suas estruturas é liberada gradualmente. Esse transporte é um processo contínuo que se estende por milhões e bilhões de anos, alcançando profundidades superiores às estimativas anteriores.
Ao atingir camadas profundas, a água interage com o silício presente no núcleo externo líquido, desencadeando reações químicas lentas, descritas como um gotejamento geológico. Essa interação altera a composição interna do planeta e resulta na formação da camada E-prime. Pesquisadores da Universidade do Arizona e da Universidade Yonsei identificaram que essa estrutura possui alta concentração de hidrogênio e baixa presença de silício, evidenciando que ela não integrava a formação original da Terra.
A camada E-prime funciona como um filtro entre as divisões internas, impactando o movimento de materiais e o fluxo de calor no núcleo. Como a dinâmica do núcleo é a responsável pela geração do campo magnético terrestre, esse ciclo de absorção de água influencia diretamente o mecanismo que protege o planeta contra a radiação solar. A descoberta demonstra que a interação entre a superfície e as profundezas terrestres é fundamental para a evolução física e química da Terra.