Ciência

Estudo revela que bactérias na neblina auxiliam na remoção de poluentes atmosféricos

15 de Maio de 2026 às 06:12

Estudo da Universidade Estadual do Arizona identificou que bactérias, especialmente metilobactérias, crescem e se multiplicam em gotículas de neblina. Os microrganismos removem poluentes atmosféricos, como o formaldeído, ao transformá-lo em dióxido de carbono. A pesquisa recomenda a purificação da água coletada de neblina para consumo humano

Estudo revela que bactérias na neblina auxiliam na remoção de poluentes atmosféricos
Estudo revela bactérias vivas na neblina, capazes de crescer nas gotículas e ajudar a decompor poluentes do ar.

Um estudo da Universidade Estadual do Arizona revelou que a neblina funciona como um sistema vivo, servindo de habitat para bactérias que crescem e se multiplicam, auxiliando na remoção de poluentes atmosféricos. A pesquisa, publicada na revista mBio e liderada por Thi Thuong Thuong Cao, altera a compreensão científica sobre as gotículas de água suspensas próximas ao solo, impactando a visão sobre a atmosfera e sistemas hídricos.

Embora a ciência já reconhecesse que bactérias viajam por correntes de ar e habitam nuvens, não estava claro se esses organismos permaneciam ativos ou adormecidos ao chegarem a esses ambientes. O trabalho de Cao focou na neblina para determinar se as bactérias estariam realmente vivas e em processo de crescimento dentro das gotículas.

A análise demonstrou que, embora menos de 1% das gotículas individuais contenham bactérias, a quantidade massiva de gotas em um evento de neblina eleva a concentração microbiana a níveis semelhantes aos encontrados no oceano. Estima-se que um dedal de água de neblina possa abrigar cerca de 10 milhões de bactérias.

Durante as coletas realizadas na Pensilvânia, a equipe identificou a predominância de metilobactérias. A observação laboratorial via microscopia confirmou que esses microrganismos aumentavam de tamanho e se dividiam, utilizando compostos simples de carbono, como o formaldeído, para se alimentar. O formaldeído é um poluente associado a danos à saúde humana e à poluição por ozônio.

O estudo observou que, em altas concentrações, o formaldeído torna-se tóxico para as bactérias, que passam a quebrá-lo em dióxido de carbono. Esse processo de desintoxicação do ar ocorre como uma medida de autopreservação dos microrganismos, resultando na limpeza do ambiente para os demais seres vivos.

Para viabilizar a pesquisa, os cientistas focaram na neblina de radiação, que se forma em noites calmas, geralmente em vales, quando o resfriamento do solo condensa a umidade próxima à superfície. Essa condição permitiu que a mesma massa de ar permanecesse no local, possibilitando a comparação de amostras antes, durante e depois da formação da névoa, superando a dificuldade imposta pelo deslocamento do vento.

A descoberta sugere a necessidade de atualizar os modelos de química atmosférica. Atualmente, esses modelos baseiam-se majoritariamente em reações impulsionadas pela luz solar, ignorando que a atividade bacteriana nas gotículas continua mesmo após o anoitecer.

Por fim, os resultados trazem alertas para comunidades que utilizam a coleta de neblina como fonte de água potável em regiões áridas. Como a água da neblina não é estéril e abriga bactérias vivas com concentrações e elementos ainda não totalmente mapeados, o estudo recomenda que esse recurso seja testado e purificado antes do consumo.

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