Estudo revela que camada de gelo no noroeste da Groenlândia desapareceu completamente há 7.100 anos
Análise de sedimentos no noroeste da Groenlândia indica que a camada de gelo de Prudhoe Dome derreteu completamente há 7.100 anos. O estudo, publicado na Nature, identificou temperaturas estivais entre 3 e 6 graus acima dos níveis atuais durante o Holoceno
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Uma análise de sedimentos no noroeste da Groenlândia revelou que a camada de gelo da região conhecida como Prudhoe Dome desapareceu completamente há cerca de 7.100 anos. O estudo, publicado na revista Nature, indica que esse evento ocorreu durante o Holoceno, período de estabilidade climática que coincidiu com a expansão da agricultura, mas que apresentou temperaturas estivais entre 3 e 6 graus centígrados acima dos níveis atuais.
Para reconstruir esse cenário, a equipe de pesquisa realizou perfurações que ultrapassaram 480 metros de profundidade até atingir a rocha base. A confirmação do derretimento total da estrutura foi obtida por meio de técnicas de datação via estimulação com luz infravermelha, que determinaram há quanto tempo os sedimentos ficaram sem exposição solar. Os sinais químicos coletados também comprovaram que o gelo presente hoje na região não é remanescente do último período glacial, mas sim fruto de uma reformação posterior.
Atualmente, a Prudhoe Dome possui cerca de 500 metros de espessura e abrange uma área de 2.500 quilômetros quadrados. A descoberta de que essa massa de gelo já foi eliminada por um aquecimento natural sugere que certas áreas da Groenlândia possuem maior vulnerabilidade ao calor.
Modelos climáticos do conjunto CMIP6 apontam que, caso a tendência de aquecimento persista, temperaturas semelhantes às do Holoceno podem ser atingidas novamente por volta do ano 2100. Esse dado é crítico porque a camada de gelo da Groenlândia é o principal fator individual de elevação do nível do mar; um derretimento total elevaria a média global em 7,3 metros, dependendo da duração do processo de aquecimento.