Ciência

Estudo revela que engenharia da Grande Pirâmide de Gizé distribui energia sísmica para evitar colapsos

29 de Maio de 2026 às 09:24

Estudo publicado no Scientific Reports indica que a Grande Pirâmide de Gizé distribui a energia sísmica, evitando a ressonância e a formação de zonas frágeis. A análise via Método de Nakamura revelou vibrações internas homogêneas entre 2 e 2,6 hertz, divergentes da frequência do solo

Estudo revela que engenharia da Grande Pirâmide de Gizé distribui energia sísmica para evitar colapsos

A Grande Pirâmide de Gizé, situada na região metropolitana do Cairo, apresenta um projeto de engenharia que distribui a energia sísmica em vez de concentrá-la, fator que explica sua estabilidade após 4,5 mil anos. Um estudo publicado em 21 de maio no periódico *Scientific Reports* analisou a reação da estrutura a vibrações naturais, revelando características geotécnicas avançadas que permitem ao monumento resistir a terremotos que derrubariam edifícios modernos.

A resistência da construção foi testada em eventos históricos, como o terremoto de 1847 no Cairo, que causou mortes e a destruição de centenas de prédios, enquanto a pirâmide sofreu apenas perdas em pedras externas. Em outubro de 1922, outro tremor provocou a queda de revestimentos do topo da estrutura, que originalmente media 146 metros e hoje possui aproximadamente 137 metros devido ao desgaste secular.

Para compreender esse comportamento, pesquisadores aplicaram o Método de Nakamura (HVSR), técnica de análise de vibrações do solo e de estruturas. As medições ocorreram em 37 pontos do monumento, abrangendo passagens, poços de ventilação, câmaras internas, blocos de construção e as áreas adjacentes.

Os dados indicaram que as vibrações no interior da pirâmide mantiveram-se homogêneas, variando entre 2 e 2,6 hertz. Essa uniformidade impede a formação de "zonas frágeis", pontos de concentração de vibração que geralmente causam rachaduras ou colapsos em construções convencionais.

A estabilidade é reforçada pela diferença de frequência entre a edificação e o terreno. Enquanto a pirâmide vibra na faixa mencionada, o solo ao redor apresentou vibrações próximas a 0,6 hertz. Essa disparidade evita o efeito de ressonância, fenômeno que ocorre quando as frequências do solo e da construção se aproximam, amplificando a energia sísmica e aumentando o impacto do tremor.

A análise da amplificação sísmica — quando ondas ganham amplitude ao atravessar diferentes camadas geológicas — mostrou que, na Grande Pirâmide, esse efeito cresce até os 48 metros de altura e, a partir desse ponto, declina gradualmente. Esse mecanismo sugere que a estrutura conduz a energia de forma controlada, evitando o acúmulo perigoso de forças ao longo do monumento.

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