Estudo revela que polvos utilizam reflexos em espelhos para orientação espacial e localização de alimento
Pesquisadores da Universidade de Dartmouth constataram que polvos da espécie Octopus bimaculoides utilizam reflexos em espelhos para localização de alimento e orientação espacial. Em testes com labirintos e presas virtuais, os animais demonstraram a capacidade de criar mapas mentais do ambiente
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Pesquisadores da Universidade de Dartmouth identificaram que polvos utilizam reflexos em espelhos de maneira estratégica para orientação espacial e localização de alimento. O estudo, publicado em revista científica, indica que esses cefalópodes conseguem compreender que a imagem refletida reproduz a realidade física do ambiente, desafiando a crença anterior de que tal processamento cognitivo era restrito a mamíferos e aves altamente desenvolvidos.
Para validar a descoberta, cientistas submeteram três exemplares da espécie *Octopus bimaculoides* a um labirinto em um tanque. No cenário inicial, os animais enfrentaram um corredor com ângulo de 90 graus para localizar um caranguejo. Após dez tentativas, os polvos dominaram a dinâmica do espelho. Para garantir que o olfato não interferisse nos resultados, a equipe implementou um desafio com um caranguejo virtual, visível apenas através de um espelho amplo.
Os resultados mostraram que, quando a presa virtual era projetada à direita ou à esquerda, os polvos se deslocavam corretamente para a posição da recompensa real. A precisão foi de aproximadamente 73% logo na primeira tentativa, evidenciando a compreensão do funcionamento do reflexo. Com a repetição, os animais otimizaram as rotas, adotando atalhos e escalando as paredes do tanque para cair diretamente sobre a presa, reduzindo o tempo e a distância do percurso.
O neurocientista Peter Tse, autor principal do estudo, explica que a eficácia de predadores na captura de presas depende da existência de um mapa mental do território. O comportamento observado sugere que os polvos são capazes de criar representações cerebrais do espaço, ou mapas internos.
A primeira autora da pesquisa, Mary Kieseler, associa esse fenômeno à evolução convergente, processo no qual a natureza desenvolve soluções inteligentes semelhantes por caminhos biológicos distintos. O fato de um organismo tão distante dos vertebrados ter criado a capacidade de usar espelhos para cognição espacial reforça essa tese.
A descoberta ganha relevo ao considerar que o ancestral comum entre humanos e polvos era um verme que viveu entre 350 e 500 milhões de anos atrás. Esse distanciamento evolutivo, somado a casos anteriores de inteligência tática — como a fuga do polvo Inky do Aquário Nacional da Nova Zelândia em 2016, que escapou por uma fenda e um cano de drenagem —, demonstra que capacidades cognitivas avançadas são ferramentas de sobrevivência universais, independentemente da linhagem biológica.