Ciência

Estudo revela que radiação solar altera a composição mineral da Lua sem necessidade de micrometeoritos

12 de Junho de 2026 às 09:18

Simulações de vento solar em ilmenita revelaram que a radiação solar altera a composição mineral da Lua, criando ferro nanofásico e características microscópicas semelhantes às de amostras reais. O estudo da Georgia Tech indica que esse processo ocorre sem a necessidade de impactos de micrometeoritos. A interação também gerou lacunas no mineral que podem facilitar a formação de água no satélite

Estudo revela que radiação solar altera a composição mineral da Lua sem necessidade de micrometeoritos
NASA/JSC/ASU

A exposição de ilmenita a simulações de vento solar em ambiente de vácuo revelou que a radiação solar, de forma isolada, é capaz de alterar a composição mineral da Lua. O estudo, detalhado na publicação *The Planetary Science Journal*, demonstrou que esse processo de meteorização espacial cria características microscópicas idênticas às encontradas em amostras reais coletadas por astronautas, sem que haja a necessidade de impactos de micrometeoritos para que tais transformações ocorram.

Pesquisadores da Georgia Tech reproduziram as condições lunares em laboratório para entender a evolução da superfície do satélite, que sofre mudanças constantes de cor e composição devido ao bombardeio de partículas solares e corpos espaciais. Durante o experimento, o mineral desenvolveu ferro nanofásico — minúsculas partículas metálicas típicas do regolito lunar — e bordas superficiais semelhantes às observadas em rochas lunares.

A descoberta resolve uma questão central para a interpretação de dados das missões Apolo e para o planejamento do programa Artemis, da NASA: a definição do peso do vento solar em comparação aos impactos de micrometeoritos no desgaste da superfície. A precisão técnica do experimento permitiu a caracterização desses resultados em um nível de detalhe inédito para estudos de radiação laboratorial.

Além do desgaste mineral, a pesquisa oferece caminhos para compreender a origem da água na Lua. A interação do vento solar com a ilmenita criou lacunas na estrutura do mineral, espaços que podem permitir a reação entre o oxigênio presente na rocha e o hidrogênio transportado pelas partículas solares. Esse mecanismo é fundamental para a ciência entender como a água é formada no satélite, recurso considerado estratégico para futuras operações humanas no local.

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