Ciência

Estudo revela que seres humanos possuem tendência inata de caminhar no sentido anti-horário

11 de Junho de 2026 às 15:19

Pesquisadores da Universidade de Navarra e da Universidade de Tóquio identificaram que seres humanos tendem a caminhar no sentido anti-horário em espaços sem caminhos definidos. O padrão, publicado na Nature Communications, independe de sexo ou lateralidade, sendo mais acentuado em crianças

Estudo revela que seres humanos possuem tendência inata de caminhar no sentido anti-horário
Echeverría-Huarte et al. CC-BY-ND

Um estudo publicado na revista Nature Communications revelou que seres humanos possuem uma tendência inata de caminhar no sentido anti-horário. A descoberta ocorreu durante a pandemia de COVID-19, quando pesquisadores da Universidade de Navarra analisavam gravações de deslocamentos de pessoas em espaços compartilhados para estudar a manutenção do distanciamento social. Ao revisarem as imagens, os cientistas notaram que os grupos tendiam a girar para a esquerda.

Para validar a observação, foram realizados testes com indivíduos e pequenos grupos em ambientes fechados. Os resultados confirmaram que, na ausência de um caminho definido, há uma preferência mensurável pelo movimento contrário aos ponteiros do relógio. O Dr. Iñaki Echeverría Huarte, da Universidade de Navarra, observou que esse comportamento se manifesta em locais cotidianos, como quartos vazios, supermercados ou museus.

A investigação buscou determinar se fatores culturais influenciavam a tendência. Em parceria com o Dr. Claudio Feliciani, da Universidade de Tóquio, a equipe reproduziu os testes no Japão, obtendo o mesmo padrão identificado na Espanha. A preferência persistiu independentemente do sexo, da lateralidade manual, do pé dominante ou do olho dominante dos participantes. A única variável relevante foi a idade, com a constatação de que crianças apresentam uma inclinação mais forte para a direção anti-horária.

Apesar dos resultados, o mecanismo exato que gera esse comportamento ainda não foi identificado. Foram analisadas hipóteses biomecânicas, visuais e de coordenação corporal, mas a tendência permaneceu. Feliciani descartou a influência da visão, já que o padrão não se alterou mesmo quando um dos olhos dos voluntários foi coberto.

A compreensão desse fenômeno pode ser aplicada ao design de estações de trem, supermercados, museus e em simulações de evacuação. Echeverría Huarte explica que a rotação coletiva no sentido anti-horário é o resultado da soma de pequenas inclinações individuais de giro quando diversas pessoas compartilham o mesmo espaço.

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