Estudo sugere que a autointeração da matéria escura pode explicar três anomalias cósmicas distintas
Estudo da Universidade da Califórnia em Riverside propõe que a autointeração da matéria escura explica anomalias no sistema JVAS B1938+666, na corrente estelar GD-1 e no aglomerado Fornax 6. A hipótese sugere que colisões entre partículas criam núcleos densos com massa de um milhão de sóis. O trabalho foi publicado na revista Physical Review Letters
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A possibilidade de a matéria escura possuir autointeração pode unificar a explicação para três anomalias cósmicas distintas, conforme detalha um estudo publicado na revista Physical Review Letters. A pesquisa, coordenada pelo físico Hai-Bo Yu, da Universidade da Califórnia em Riverside, sugere a existência de aglomerados invisíveis e extremamente densos que deixam rastros gravitacionais em diferentes regiões do universo.
A hipótese central diverge do modelo padrão de cosmologia (matéria escura fria lambda), no qual as partículas seriam indiferentes entre si, atravessando-se sem interagir. A nova proposta defende que, se essas partículas colidirem, haveria troca de energia e momento, alterando a estrutura interna dos halos que circundam galáxias e aglomerados. Esse fenômeno, denominado colapso gravitotérmico, resultaria na criação de núcleos compactos de altíssima densidade.
Essa dinâmica explicaria a natureza de três eventos específicos. O primeiro é o sistema de lente gravitacional JVAS B1938+666, onde um objeto ultradenso altera a luz de uma galáxia distante. O segundo caso ocorre na corrente estelar GD-1, que apresenta uma espécie de cicatriz provocada por um corpo compacto sem emissão de luz. Por fim, o modelo aborda a formação incomum do aglomerado estelar Fornax 6, localizado na galáxia satélite Fornax, cuja origem é incompatível com as teorias convencionais.
Um único aglomerado de matéria escura autointeragente, com massa cerca de um milhão de vezes superior à do Sol, seria capaz de atuar simultaneamente como o perturbador gravitacional em JVAS B1938+666, o objeto invisível que atravessou a corrente GD-1 e a armadilha que capturou estrelas em Fornax 6.
Para Yu, a eficácia do mecanismo reside na capacidade de operar em três cenários distintos: no universo remoto, no interior da Via Láctea e em uma galáxia satélite vizinha. Enquanto o modelo padrão não comporta tais densidades, a autointeração as torna naturais. A proposta não torna a matéria escura visível, mas atribui a ela um comportamento interno complexo que, se confirmado, transforma anomalias isoladas em evidências de uma mesma física oculta.