Europa e China lançam missão conjunta para estudar a interação entre ventos solares e a Terra
A Agência Espacial Europeia e a Academia Chinesa de Ciências criaram a missão SMILE para estudar a interação entre ventos solares e a magnetosfera terrestre. O satélite, equipado com quatro instrumentos de ambos os países, teve seu lançamento adiado por problemas técnicos
A Agência Espacial Europeia (ESA) e a Academia Chinesa de Ciências (CAS) estabeleceram a missão SMILE para investigar a interação entre os ventos solares e a magnetosfera, o escudo natural que protege a Terra contra a radiação e as partículas provenientes do Sol. O objetivo central do projeto é mapear as fronteiras desse sistema de defesa e compreender como o vento solar pressiona a magnetosfera, permitindo que a ciência identifique com maior precisão a origem e o comportamento de tempestades solares. A melhoria nessa análise de dados é fundamental para mitigar riscos em redes elétricas, sistemas de navegação, comunicações e equipamentos sensíveis, tanto em solo quanto em órbita.
Para viabilizar a coleta de informações, o satélite é equipado com quatro instrumentos. A Europa forneceu os sistemas SXI e DPA — este último desenvolvido pelo Instituto Nacional de Técnica Aeroespacial (INTA) da Espanha —, além do foguete Vega, responsável pelo lançamento. A China, por sua vez, desenvolveu a plataforma do satélite e os instrumentos UVI e LIA. A integração entre imagens e medições de partículas permitirá conectar a relação de causa e efeito entre o vento solar, a magnetosfera e a ionosfera. Embora o lançamento estivesse previsto para 9 de abril, a data foi adiada devido a um problema técnico, ainda sem novo agendamento.
A cooperação com a China reflete uma mudança estratégica da Europa para diversificar suas alianças espaciais. O movimento ocorre enquanto Pequim consolida sua posição no setor, operando a estação Tiangong, realizando missões lunares via programa Chang’e, explorando Marte com o rover Zhurong e planejando enviar astronautas à Lua até 2030. Para a Europa, a aproximação com um parceiro de alta escala e ambição reduz a vulnerabilidade de depender exclusivamente dos Estados Unidos, especialmente diante da possibilidade de cortes no financiamento científico norte-americano que possam comprometer programas de longo prazo.
Essa busca por autonomia surge paralelamente a um desgaste no reconhecimento de contribuições europeias em missões tripuladas. No programa Artemis II, a Europa entregou o sistema de propulsão essencial para levar quatro astronautas à Lua, porém a visibilidade pública da entrega técnica europeia foi inferior à do Canadá, que garantiu um assento na cápsula Orion. O cenário evidencia que a Europa mantém a cooperação com a NASA, mas adota uma postura pragmática ao expandir seus polos de parceria para acelerar resultados e garantir a continuidade de seus projetos científicos.