Evidências geológicas na Etiópia indicam que a crosta africana está em processo de expansão
Geofísicos da Universidade de Missouri of Science and Technology identificaram faixas magnéticas na Depressão de Afar, na Etiópia, que indicam a expansão da crosta africana. Os dados, publicados na revista Geology, mostram que intrusões de magma ocorreram entre 1,8 milhão e 780 mil anos atrás. O processo sinaliza a futura formação de um novo oceano em até 2 milhões de anos
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A Depressão de Afar, na Etiópia, apresenta evidências geológicas de que a crosta africana está em processo de expansão, sinalizando a futura criação de um novo oceano. No Tendaho Graben, região situada no extremo leste da África, geofísicos identificaram faixas magnéticas invisíveis a olho nu que revelam como se inicia a formação de uma bacia oceânica antes mesmo da inundação por água.
A descoberta foi conduzida por uma equipe da Universidade de Missouri of Science and Technology, sob a liderança do geofísico David Bridges. Utilizando magnetômetros de alta precisão, os pesquisadores detectaram anomalias na superfície que reproduzem padrões encontrados no fundo do mar, especificamente próximos às dorsais oceânicas.
Essas marcas magnéticas surgem quando a separação da crosta permite a ascensão do magma, que, ao esfriar, orienta seus minerais ferromagnéticos conforme o campo magnético da Terra. Como a polaridade desse campo oscila periodicamente, as camadas sucessivas de rocha registram orientações distintas. Embora esse fenômeno seja conhecido desde a década de 1950 e utilizado para datar bacias oceânicas globais, o caso do Tendaho Graben altera a interpretação convencional.
Diferente do padrão clássico, as faixas encontradas na Etiópia possuem cerca de 10 quilômetros de largura e estão inseridas na crosta continental, e não na oceânica. Elas resultaram de intrusões de magma que penetraram a rocha africana enquanto esta sofria afinamento e fragmentação.
Os dados publicados na revista Geology indicam que esse processo ocorreu entre 1,8 milhão e 780 mil anos atrás, período que coincide com a última inversão dos polos magnéticos terrestres. A observação sugere que algumas bacias oceânicas podem ter se originado em terra firme, sendo mais jovens do que as estimativas atuais indicam. A previsão científica é que a crosta leve até 2 milhões de anos para se romper totalmente, permitindo a formação efetiva de uma bacia oceânica.