Exames de sangue identificam alterações ligadas ao Alzheimer anos antes do surgimento de sintomas cognitivos
Novos exames de sangue identificam biomarcadores associados ao Alzheimer em adultos de meia-idade antes dos sintomas iniciais. Estudo publicado na revista The Lancet com 1.350 participantes indicou que níveis elevados dessas proteínas correlacionam-se a menor desempenho cognitivo após cinco anos
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Exames de sangue de nova geração conseguem identificar alterações ligadas ao Alzheimer anos antes da manifestação de sintomas, permitindo a detecção da patologia ainda na meia-idade. O estudo, publicado na revista *The Lancet*, analisou três biomarcadores sanguíneos em 1.350 adultos com média de idade de 61 anos e sem quadro de demência. A pesquisa revelou que níveis elevados dessas proteínas no sangue estão associados a um pior desempenho cognitivo cinco anos após a coleta.
O trabalho, conduzido por pesquisadores dos Estados Unidos, foca na fase "pré-clínica" da doença, momento em que não há sintomas claros de demência. Os resultados indicaram que a parcela de participantes com testes positivos foi pequena, atingindo no máximo 15%, dependendo do biomarcador utilizado. Paresh Malhotra, chefe da Divisão de Neurologia do Departamento de Ciências do Cérebro do Imperial College de Londres, observou que indivíduos com resultados positivos apresentaram maior dificuldade em testes de raciocínio anos depois.
A investigação amplia o entendimento sobre a frequência de alterações cerebrais em adultos de meia-idade, grupo menos explorado que os idosos. Richard Oakley, diretor associado de Pesquisa e Inovação da Sociedade de Alzheimer, aponta que esses exames são alternativas promissoras por serem menos invasivos e mais acessíveis, o que pode antecipar o acesso a suportes e tratamentos. Oakley projeta que o desenvolvimento desses biomarcadores possa viabilizar a integração dos testes ao sistema público de saúde britânico nos próximos cinco anos.
Apesar do potencial, a aplicação desses exames não é recomendada para o rastreamento em massa de populações saudáveis. Pesquisadores externos ao estudo alertam que, em pessoas jovens e sem comprometimento cognitivo, a probabilidade de falsos positivos é alta, tornando a detecção massiva e não seletiva inadequada.
A interpretação dos resultados em pessoas assintomáticas ainda gera incertezas, já que a compreensão científica sobre esses biomarcadores é mais consolidada quando já existe deterioração cognitiva. Malhotra reforça que um resultado anormal no sangue não constitui um diagnóstico clínico nem garante que o indivíduo desenvolverá demência inevitavelmente. Além disso, ele observa que a pesquisa analisou os participantes em um único momento, sem acompanhar a evolução temporal dos dados. Para aprimorar a precisão, Oakley defende a necessidade de testar biomarcadores em populações diversas para entender a influência de fatores genéticos, raça e sexo nos resultados.