Ciência

Exoplaneta gigante que orbita anã vermelha questiona a teoria de formação de planetas

13 de Abril de 2026 às 10:12

Pesquisa de abril de 2026, coordenada por Caleb Cañas da NASA, identificou que o exoplaneta TOI-5205 b, um gigante gasoso a 280 anos-luz da Terra, orbita uma anã vermelha. Dados do telescópio James Webb revelaram baixa metalicidade na atmosfera do astro. O resultado contesta teorias sobre a formação de planetas e a relação de composição química entre estrelas e planetas

Um estudo publicado em abril de 2026 no The Astronomical Journal, conduzido por uma equipe internacional sob a liderança do astrofísico Caleb Cañas, do Goddard Space Flight Center da NASA, apresenta evidências que questionam os modelos teóricos vigentes da astrofísica. A pesquisa focou no exoplaneta TOI-5205 b, um gigante gasoso com dimensões semelhantes às de Júpiter, localizado a aproximadamente 280 anos-luz da Terra.

O objeto é classificado como um "planeta proibido" devido à incompatibilidade entre seu tamanho e a estrela que orbita. O TOI-5205 b gira em torno de uma anã vermelha do tipo M, que possui apenas 40% da massa do Sol. De acordo com o mecanismo de acreção de núcleo, a teoria mais aceita para a formação de planetas gigantes, estrelas com essa massa reduzida não teriam discos protoplanetários com material suficiente para originar um colosso gasoso.

Para investigar as características do planeta, a equipe utilizou o telescópio espacial James Webb (JWST). O instrumento registrou três trânsitos do exoplaneta, capturando a luz da estrela enquanto ela atravessava a atmosfera do planeta. Por meio da espectroscopia de trânsito, espectrógrafos de alta precisão decompuseram essa luz em diferentes comprimentos de onda, permitindo a identificação de elementos químicos através de suas assinaturas espectrais.

Os dados revelaram que a atmosfera do TOI-5205 b possui baixa metalicidade, apresentando uma concentração de elementos mais pesados que o hidrogênio e o hélio inferior à da própria estrela hospedeira. Esse resultado contraria a premissa de que planetas gigantes herdam e amplificam a composição química de suas estrelas.

A descoberta abala dois paradigmas da ciência planetária moderna: a improbabilidade de formação de gigantes em estrelas de baixa massa e a correlação direta de metalicidade entre estrela e planeta. Como as anãs vermelhas do tipo M representam cerca de 70% das estrelas da Via Láctea, a existência de gigantes gasosos nesses sistemas sugere a necessidade de novas hipóteses sobre a formação planetária e pode alterar as estimativas sobre a quantidade de planetas na galáxia.

A equipe de Cañas afirma que os dados coletados pelo James Webb são robustos e exigem a revisão dos modelos atuais, embora reconheça que a técnica de espectroscopia de trânsito analisa apenas a camada externa da atmosfera. Por isso, a interpretação completa dos dados demandará modelos atmosféricos mais sofisticados e observações adicionais para refinar as medições de metalicidade, já que o estudo se baseou em três trânsitos.

O achado reforça a importância de telescópios de próxima geração e de iniciativas como o programa Artemis da NASA para a expansão do conhecimento sobre o cosmos e a identificação de mundos que desafiam as teorias estabelecidas.

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