Ciência

Expedição descobre ecossistema de corais raros com dimensões semelhantes às do Vaticano na Argentina

13 de Junho de 2026 às 06:10

Expedição do navio R/V Falkor identificou um ecossistema de corais Bathelia candida com 0,4 km² a 1.000 metros de profundidade na costa argentina. A operação mapeou 900 km de fundo mar, registrando diversas espécies marinhas e a carcaça de uma baleia. A equipe constatou danos por pesca de arrasto e testa corais artificiais em 3D para a recolonização da área

Expedição descobre ecossistema de corais raros com dimensões semelhantes às do Vaticano na Argentina
Instituto Oceanográfico Schmidt

Uma expedição científica na costa da Argentina identificou, a 1.000 metros de profundidade, um ecossistema vibrante dominado por *Bathelia candida*, uma espécie rara de coral de águas frias. A estrutura, que abriga diversos organismos, possui um monte de coral com 0,4 km², dimensão equivalente à da Cidade do Vaticano.

O achado ocorreu durante a exploração de 900 km de fundo mar na margem continental argentina, região anteriormente não mapeada. A operação foi conduzida pelo navio de pesquisa R/V Falkor, do Schmidt Ocean Institute, com o auxílio do veículo submersível ROV SuBastian.

Diferente dos corais tropicais, esse sistema sobrevive em escuridão permanente e sob pressão extrema, sem a necessidade de luz solar ou algas fotossintéticas. A nutrição dessas comunidades provém da "neve marinha", matéria orgânica que desce das camadas superficiais do oceano.

A biodiversidade local surpreendeu a equipe técnica. Santiago Herrera, biólogo marinho da Universidade de Lehigh, classificou o local como um dos ambientes mais exuberantes do oceano profundo, destacando a concentração de vida em uma zona onde a escassez é a norma. Entre as espécies registradas estão polvos, caranguejos, peixes, estrelas-da-manta, estrelas do mar e lulas de cristal. María Emilia Bravo, cientista da Universidade de Buenos Aires e do Conicet, ressaltou que o nível de riqueza biológica encontrado no mar profundo argentino superou as expectativas iniciais.

Além do complexo de corais, a missão localizou uma área de filtragem fria com mexilhões quimiosintéticos e registrou, pela primeira vez em águas profundas argentinas, a carcaça de uma baleia a 3.890 metros de profundidade. Tais restos ósseos funcionam como fonte de sustento para micro-organismos e animais por períodos que podem chegar a décadas.

Apesar da descoberta, a expedição constatou a presença de cabos enredados, resíduos de pesca e danos possivelmente causados pela pesca de arrasto. Há também a preocupação com a futura exploração de gás e petróleo na região. Como medida preventiva e corretiva, os pesquisadores testam o uso de corais artificiais impressos em 3D e substratos para estimular a recolonização do ecossistema, visto que a recuperação natural de tais estruturas pode levar milhares de anos.

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