Ciência

Expedição identifica estruturas de cidade de 3 mil anos no sul do Uzbequistão

06 de Abril de 2026 às 21:49

Pesquisadores chineses e uzbeques identificaram estruturas de uma cidade de 3.000 anos em Bandikhan II, no sul do Uzbequistão. As escavações revelaram a muralha oriental, cinco cômodos interligados e artefatos como utensílios domésticos, conchas e objetos de bronze. O sítio de 107.639 metros quadrados é vinculado à cultura Yaz

Uma expedição arqueológica composta por pesquisadores chineses e uzbeques identificou as estruturas de uma cidade de 3.000 anos em Bandikhan II, no sul do Uzbequistão. Localizado no oásis de Bandikhan, na região de Surxondaryo, o sítio arqueológico estende-se por 107.639 metros quadrados ao longo da Rota da Seda e é classificado como o assentamento mais amplo e preservado daquela área.

Embora o local tenha sido descoberto em 1969, as escavações tiveram início apenas em 2023. Até o momento, a investigação concentrou-se na seção leste, onde foram explorados 3.229 pés quadrados. Os trabalhos revelaram a muralha oriental da cidade, que apresenta uma seção transversal trapezoidal, evidenciando as técnicas construtivas da época e permitindo a análise da transição dos planos urbanos da Idade do Bronze para o início da Idade do Ferro na Ásia Central.

No interior do núcleo urbano, a equipe localizou cinco cômodos interligados. Um desses espaços, destinado ao dormitório, possuía um nicho para lâmpada, identificado pelo endurecimento interno causado por queimas sucessivas. A análise estrutural vincula Bandikhan II à cultura Yaz, associada à antiga Báctria, apresentando semelhanças com os sítios de Yaztepa e Kuchuktepa. No entanto, a cidade se diferencia desses locais pela ausência de torres de defesa semicirculares em suas muralhas externas.

O material recolhido durante as escavações inclui utensílios domésticos, como pratos de fundo plano, tigelas e jarros carenados, cujas decorações coincidem com outros achados da cultura Yaz. A presença de pilões, almofarizes e placas de moagem comprova que havia processamento de grãos no local. Além disso, foram recuperadas conchas marinhas, pontas de flecha e facas de bronze.

Os dados obtidos fornecem evidências sobre a organização das primeiras cidades-estado da Idade do Ferro no sul da Ásia Central. Como reflexo desses achados, foi implementado um programa de treinamento de duas semanas focado na arqueologia da Rota da Seda, visando a proteção e a preservação do patrimônio cultural do corredor regional. As próximas etapas da pesquisa pretendem expandir o estudo sobre a planta urbana, o uso do espaço e o legado da cidade.

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