Expedição identifica mais de 70 espécies desconhecidas em ecossistema preservado de Angola
A organização The Wilderness Project catalogou mais de 70 espécies desconhecidas na meseta de Lisima, em Angola. O levantamento do projeto Cassai Life Atlas identificou novos aracnídeos, insetos, répteis, anfíbios e plantas em um ecossistema preservado
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F4e3%2F4ba%2F4a3%2F4e34ba4a37bebe8b1787c24a0a52828b.jpg)
Uma expedição da organização internacional The Wilderness Project identificou um ecossistema preservado na meseta de Lisima, em Angola, onde foram catalogadas mais de 70 espécies desconhecidas. A região permaneceu isolada por décadas em razão de conflitos políticos e da presença de minas terrestres, o que transformou a área em um santuário biológico.
O levantamento integrou o projeto Cassai Life Atlas, realizado por uma equipe multidisciplinar para mapear a fauna local. Os dados confirmam que a meseta funciona como um ambiente isolado com processos evolutivos singulares, servindo também como fonte principal para os recursos hídricos do continente meridional, alimentando sistemas fluviais como o Congo, o Cuanza, o Zambeze e o Okavango.
A maior parte dos novos registros concentra-se em aracnídeos e insetos endêmicos. Entre as descobertas, destaca-se a aranha-caranguejo coronada do gênero *Smodicinus*, que emite fluorescência azul sob luz ultravioleta, e uma aranha tecedeira de orbícula do gênero *Paraplectana*, que mimetiza a aparência de mariquitas para repelir predadores.
No grupo dos insetos voadores, a pesquisa classificou oito novas espécies de libélulas e "cabeçudos", além de três novos tipos de gafanhotos, incluindo um exemplar blindado do gênero *Enyaliopsis*. O estudo de lepidópteros registrou mais de mil mariposas e borboletas, sendo que 6% destas são espécies novas, como a borboleta com penas do gênero *Alucita*, que apresenta asas de estrutura celular plumosa.
O inventário abrangeu ainda vertebrados, com a identificação de 23 répteis — incluindo a serpente de rabo de Oates e a cobra do Gabão — e 24 anfíbios. Em cavidades rochosas, foram detectados morcegos-de-orelha-de-Rüppell, enquanto a análise botânica contabilizou mais de 300 plantas típicas de zonas pantanosas e savanas.
Para o ecólogo da conservação Rob Taylor, a atuação de especialistas em diversas áreas da vida no local representa uma experiência emocionante e um privilégio, dada a relevância da área para a conservação global.