Expedição identifica monte submarino maior que o Monte Olimpo em águas internacionais do Chile
Expedição do Schmidt Ocean Institute localizou um monte submarino de 3.109 metros de altura na Dorsal de Nazca, a oeste do Chile. A missão registrou espécies raras, como a lula Promachoteuthis, e identificou 20 organismos potencialmente novos para a ciência
Uma expedição científica liderada pelo Schmidt Ocean Institute identificou um monte submarino de 3.109 metros de altura na Dorsal de Nazca, em águas internacionais a oeste do Chile. A estrutura, localizada durante uma campanha de 28 dias a bordo do navio Falkor (too), ocupa cerca de 70 quilômetros quadrados, com a base a 4.103 metros e o topo a 994 metros de profundidade. Pelo critério de proeminência utilizado na missão, a formação supera o Monte Olimpo, na Grécia, em aproximadamente 200 metros.
A detecção ocorreu por meio de um ecobatímetro multifeixe instalado no casco da embarcação, que utiliza pulsos sonoros para reconstruir digitalmente a topografia do leito marinho. O mapeamento detalhado de encostas, cristas e desníveis permitiu que a equipe enviasse o robô subaquático SuBastian para explorar a estrutura, onde foram encontrados jardins de esponjas e corais antigos. Em outro ponto da mesma cadeia, a missão documentou um jardim de corais de profundidade com cerca de 800 metros quadrados, área equivalente a três quadras de tênis.
A exploração resultou em registros biológicos raros, incluindo o primeiro vídeo de uma lula viva do gênero *Promachoteuthis*, grupo anteriormente conhecido apenas por exemplares mortos coletados desde o fim do século 19. A expedição também confirmou a presença do polvo Casper no Pacífico Sul, além de filmar dois sifonóforos do gênero *Bathyphysa*, conhecidos como “flying spaghetti monsters” devido à aparência alongada e aos tentáculos finos.
Esta foi a terceira missão do instituto em 2024 nas dorsais de Nazca e Salas y Gómez. Somadas às duas campanhas anteriores, realizadas em janeiro e fevereiro, as expedições elevaram o número de espécies registradas na região de pouco mais de mil para 1.300. A etapa mais recente identificou 20 espécies com potencial de serem novas para a ciência, que foram encaminhadas para análise do Ocean Census.
O estudo ressalta a importância dos montes submarinos como centros de biodiversidade, pois eles alteram correntes marítimas e oferecem substrato para a fixação de organismos em regiões remotas. Para os pesquisadores, a distância entre essas formações influencia a dispersão de espécies e a dinâmica dos habitats. Alex David Rogers, diretor científico do Ocean Census, destacou a diversidade biológica notável do Pacífico Sudeste, enquanto o copesquisador-chefe Tomer Ketter pontuou que os resultados revelam a riqueza dos ecossistemas e as lacunas sobre a conexão entre eles.
Os dados reforçam a necessidade de conservação em áreas fora da jurisdição nacional, especialmente porque essas estruturas são vulneráveis a impactos humanos. A descoberta também evidencia a limitação do conhecimento geográfico oceânico: em 2024, apenas 26,1% do leito marinho global havia sido mapeado com alta resolução, o que explica a existência de formações monumentais ainda não catalogadas.