Ciência

Expedições científicas descobrem 38 espécies inéditas nas profundezas do oceano próximo ao Japão

13 de Abril de 2026 às 06:04

Expedições apoiadas pela Fundação Nippon identificaram 38 espécies inéditas e ecossistemas complexos nas profundezas do oceano próximo ao Japão. As pesquisas na Fossa de Nankai e na montanha Shichiyo catalogaram 25 regiões de biodiversidade entre 300 e 4.800 metros. O estudo utilizou o submersível Shinkai 6500 para localizar estruturas biológicas e novas espécies de vermes poliquetas

Expedições científicas internacionais, com suporte da Fundação Nippon, identificaram ecossistemas complexos e espécies inéditas nas profundezas do oceano próximo ao Japão. As pesquisas, que utilizaram equipamentos de coleta e o submersível Shinkai 6500, revelaram a existência de estruturas biológicas singulares e a diversidade de vida em regiões de extrema profundidade.

Na Fossa de Nankai, região de intensa atividade geológica no sudeste japonês, onde a Placa das Filipinas desliza sob a Placa Eurasiática, foi observada a liberação de sulfeto de hidrogênio e metano. Esses gases servem de alimento para bactérias que sustentam cadeias alimentares completas, permitindo a sobrevivência de ecossistemas em ambientes extremos. Até 2024, foram catalogadas 25 regiões com essas características, situadas em profundidades que variam entre 300 e 4.800 metros. A análise dessas áreas resultou em um aumento significativo da biodiversidade conhecida, com a identificação de 38 espécies inéditas e um volume de fauna cinco vezes superior às estimativas anteriores.

A exploração avançou para a montanha submarina Shichiyo, onde os pesquisadores localizaram uma estrutura composta por dióxido de silício, material similar ao vidro convencional. Essa esponja de vidro atua como habitat para diversos organismos, incluindo duas espécies novas de vermes poliquetas. Embora não possuam parentesco próximo, esses vermes coabitam o mesmo nicho ecológico como simbiontes, evidenciando a complexidade das relações biológicas em zonas remotas.

Os achados corroboram a tese de que o conhecimento humano sobre os oceanos é limitado. Levantamentos científicos atualizados até 2024 indicam que, das estimadas 1 a 2 milhões de espécies marinhas, apenas 10% foram descritas. Para Mitsuyuki Unno, diretor executivo da Fundação Nippon, os resultados demonstram o nível de desconhecimento sobre as profundezas oceânicas, enquanto a cientista Michelle Taylor ressalta que cada nova espécie descoberta reforça a urgência de proteger os ecossistemas marinhos.

A descoberta de vida diversificada em áreas consideradas inóspitas amplia a preocupação com os impactos da atividade humana. Atualmente, existe um conflito entre a preservação ambiental e o interesse de setores industriais na exploração de depósitos minerais nessas regiões, tensão que deve se intensificar ao longo do século XXI.

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