Ciência

Exposição ao espaço profundo acelera o envelhecimento do fígado e provoca alterações genéticas rápidas

08 de Julho de 2026 às 18:06

Pesquisadores da Universidade Central da Flórida constataram que a radiação cósmica e a microgravidade aceleram o envelhecimento do fígado e causam alterações genéticas. O estudo, publicado na revista GeroScience, utilizou simulações da NASA e amostras da missão Inspiration4 para identificar danos celulares. A equipe localizou uma molécula capaz de modificar vias genéticas ligadas à inflamação e ao envelhecimento

Exposição ao espaço profundo acelera o envelhecimento do fígado e provoca alterações genéticas rápidas
Divulgação/Nasa

Pesquisadores da Universidade Central da Flórida identificaram que a exposição a condições do espaço profundo acelera significativamente o envelhecimento do fígado, provocando alterações genéticas em apenas 24 horas. O estudo, publicado em junho na revista GeroScience, revela que a radiação cósmica e a microgravidade causam danos celulares e orgânicos, resultando em processos de inflamação, fibrose e aumento da senescência celular, fatores que podem levar à falência do órgão.

Para chegar a esses resultados, a equipe utilizou o Laboratório de Radiação Espacial da NASA, onde simulou o ambiente externo à Terra durante 14 dias para analisar moléculas hepáticas. A escolha do fígado justifica-se por sua função como um dos principais órgãos metabólicos do corpo humano. A análise foi complementada pelo exame de amostras de sangue do Estudo de Gêmeos da Inspiration4, missão de três dias realizada pela SpaceX em 2021, a qual confirmou a presença de modificações genéticas semelhantes às observadas na simulação.

Enquanto a microgravidade atua na redução da massa muscular e óssea, a radiação cósmica é a responsável direta pelo desgaste celular acelerado. O estudo aponta que o envelhecimento biológico não se limita a mudanças estéticas, mas consiste em uma falência gradual e simultânea de diversos sistemas biológicos e órgãos.

Durante os experimentos, os cientistas testaram a possibilidade de tratar as células e localizaram uma molécula capaz de modificar vias genéticas ligadas à inflamação e ao envelhecimento. Essa descoberta abre caminho para o desenvolvimento de terapias voltadas tanto para astronautas quanto para pacientes com doenças degenerativas.

A viabilidade de missões espaciais de longa duração permanece como um desafio, pois a humanidade ainda não possui preparo total para os riscos biológicos envolvidos. A manutenção da saúde da tripulação é apontada como fator determinante para o êxito de futuras explorações espaciais, tornando essencial a compreensão dos gatilhos que iniciam a degeneração orgânica para prevenir doenças antes de sua manifestação.

Notícias Relacionadas