Ciência

Falta de licença-paternidade remunerada aumenta risco de ansiedade e depressão em pais de primeira viagem

23 de Junho de 2026 às 06:19

Estudo da Universidade Northwestern e do Hospital Infantil Ann & Robert H. Lurie indica que a falta de licença-paternidade remunerada aumenta riscos de ansiedade e depressão em pais. A pesquisa com 4.290 homens revelou que afastamentos não remunerados elevam em 58% a probabilidade de ansiedade. Outro levantamento do Instituto Karolinska associou a menor incidência de depressão a licenças entre 14 e 40 semanas

Falta de licença-paternidade remunerada aumenta risco de ansiedade e depressão em pais de primeira viagem
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A ausência de licença-paternidade remunerada eleva o risco de desenvolvimento de quadros de ansiedade e depressão em homens após o nascimento dos filhos. A conclusão integra um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Northwestern e do Hospital Infantil Ann & Robert H. Lurie, em Chicago, publicado no *American Journal of Public Health*. A investigação, que utilizou dados da Pesquisa sobre a Paternidade em Ohio (2022-2023), analisou 4.290 pais de primeira viagem, identificando que 11% apresentavam ansiedade e 6,6% manifestavam depressão.

O levantamento revelou que a natureza do afastamento do trabalho influencia diretamente a saúde mental. Pais que utilizaram licença não remunerada tiveram uma probabilidade 58% maior de apresentar sintomas de ansiedade do que aqueles que usufruíram de licença remunerada. O risco foi ainda mais acentuado entre os homens que desejaram se afastar, mas não conseguiram tirar qualquer tipo de licença. Entre os participantes com a saúde mental deteriorada, 75% justificaram a não solicitação do afastamento por questões financeiras, grupo no qual 71% apresentavam ansiedade e 75% sintomas depressivos.

A distribuição das licenças entre os entrevistados mostrou que 54% tiveram afastamento remunerado, 22% não remunerado, 9% combinaram as duas modalidades e 15% não tiraram licença. Esse cenário é corroborado por um estudo anterior, publicado em 2025 por Garfield, que indicou que 64% dos homens nos Estados Unidos tiram menos de duas semanas de licença, enquanto 36% superam esse período. Diante disso, Garfield defende que a expansão de programas remunerados e a redução de barreiras econômicas são medidas de saúde pública essenciais para a população.

Complementando a análise sobre a duração do afastamento, outro estudo publicado na mesma revista científica, conduzido pelo Instituto Karolinska, na Suécia, acompanhou 746 pais por 18 meses. A pesquisa monitorou sintomas depressivos desde que os filhos tinham 9 meses até completarem 27 meses de idade, ajustando os dados conforme condições socioeconômicas, familiares e a duração da licença materna.

Os resultados suecos indicam que o bem-estar psicológico é favorecido por um período de licença equilibrado. Pais que se afastaram entre 14 e 40 semanas apresentaram uma probabilidade significativamente menor de desenvolver depressão do que aqueles que tiraram até quatro semanas. O mesmo padrão de proteção não foi observado nos grupos que tiraram entre 5 e 13 semanas ou que excederam as 40 semanas de afastamento.

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