Ciência

Fifa investe mais de 5 milhões de dólares em pesquisas para aprimorar gramados da Copa 2026

19 de Maio de 2026 às 06:36

A Fifa investiu mais de US$ 5 milhões em pesquisas de gramados para a Copa do Mundo de 2026. O projeto, desenvolvido por Sorochan e Trey Rogers III, utiliza protocolos técnicos e diferentes tipos de grama conforme o clima das sedes. A logística inclui o uso de fibras plásticas, luzes LED e transporte refrigerado para os 104 jogos

A ciência do cultivo de gramados esportivos tornou-se a prioridade central dos preparativos para a Copa do Mundo de 2026, sediada por Estados Unidos, Canadá e México. O investimento de mais de US$ 5 milhões da Fifa em pesquisas visa evitar falhas técnicas como as ocorridas na Copa América de 2024, quando a seleção argentina relatou que o campo do estádio de Atlanta, na Geórgia, apresentava um efeito de "trampolim", prejudicando o controle de bola e o desempenho dos atletas.

Para mitigar esses problemas, a Fifa confiou a consultoria a Sorochan e Trey Rogers III, professor da Universidade do Estado de Michigan. A equipe desenvolveu um protocolo baseado em mais de 170 experimentos, que incluíram testes de elasticidade com chuteiras mecânicas e medições precisas do quique da bola em laboratórios no Tennessee. Um dos achados principais indica que uma variação de apenas cinco milímetros na altura do corte pode alterar drasticamente a interação do jogador com a superfície, transformando o campo em algo semelhante a um "velcro" ou em um tapete natural ideal para passes rápidos.

O desafio logístico é amplificado pela diversidade climática das sedes. Em regiões de calor úmido, como Miami e Cidade do México, será utilizada a grama do tipo bermuda, que é mais densa e seca rapidamente, exigindo cortes mais baixos. Já em cidades mais frias, como Boston e Toronto, a solução será a combinação de azevém perene e Kentucky bluegrass. Para aumentar a durabilidade e a uniformidade, fibras plásticas foram incorporadas à grama natural.

A operação envolve a instalação de campos temporários sobre gramados artificiais em arenas cobertas, como as da NFL. Para evitar a instabilidade sentida na Copa América, a Fifa exigiu uma camada de separação maior entre as superfícies. A drenagem nesses casos é feita por grades e mantas plásticas intertravadas, substituindo a base de cascalho usada em estádios abertos.

A manutenção da saúde das plantas em ambientes sem luz solar direta é feita por meio de barras de LED retráteis que emitem luz magenta, fornecendo a energia necessária para o crescimento. A logística de transporte também foi otimizada: a grama é cultivada em areia sobre plástico para proteger as raízes, cortada em faixas de 1,2 metro e transportada em caminhões refrigerados.

O projeto atual é a evolução de um trabalho iniciado por Rogers e Sorochan na Copa de 1994, no Pontiac Silverdome, onde implementaram a inovação de módulos hexagonais para preservar as raízes. A Copa do Mundo de Clubes de 2025 serviu como teste final para a logística e os materiais que serão aplicados nos 104 jogos do próximo mundial, que ocorrerá entre 11 de junho e 19 de julho de 2026.

Notícias Relacionadas