Ciência

Finlândia implementa o primeiro sistema do mundo para armazenamento geológico profundo de resíduos nucleares

10 de Abril de 2026 às 09:17

A Finlândia implementará na ilha de Olkiluoto o projeto Onkalo, primeiro sistema mundial de armazenamento geológico profundo para resíduos nucleares. A estrutura a 450 metros de profundidade utiliza recipientes de cobre e argila bentonita para isolar o material por 100 mil anos. O depósito receberá combustíveis das usinas de Loviisa e Olkiluoto

A Finlândia implementará o primeiro sistema de armazenamento geológico profundo do mundo destinado a resíduos nucleares de alto nível. Localizado na ilha de Olkiluoto, o projeto Onkalo utiliza uma formação rochosa de 1,9 bilhão de anos para isolar o combustível nuclear usado por um período de 100 mil anos, visando a proteção de gerações futuras.

A estrutura foi construída a 450 metros de profundidade no leito rochoso, aproveitando a estabilidade do cristalino finlandês, que permaneceu praticamente inalterado ao longo de eras. Essa característica geológica oferece resistência contra erosão e movimentos sísmicos, minimizando os riscos de que o material radioativo entre em contato com águas subterrâneas ou com a biosfera.

Para garantir a contenção, o complexo adota um sistema de barreiras múltiplas. O combustível é selado em recipientes de cobre espessos e envolto por argila bentonita. Esta argila expansiva funciona como uma vedação física e química, impedindo que eventuais vazamentos cheguem à superfície. O conjunto foi projetado para suportar inclusive a pressão de quilômetros de gelo em futuras eras glaciais.

O desenvolvimento do Onkalo demandou décadas de planejamento e investimentos de bilhões de euros, contando com a cooperação de políticos, cientistas e a comunidade de Eurajoki. A estratégia finlandesa priorizou a transparência e o consenso social para viabilizar a obra, assumindo a responsabilidade total pelo ciclo de vida da produção energética do país.

Após a conclusão das fases de testes, o depósito passará a receber carregamentos regulares de combustível provenientes das usinas de Loviisa e Olkiluoto. Quando os túneis de deposição forem preenchidos, serão selados permanentemente com materiais inertes, permitindo que a superfície seja utilizada para outras atividades enquanto o material permanece isolado.

O modelo de isolamento geológico profundo é reconhecido pela comunidade científica internacional como a opção mais ética e segura para o descarte de urânio e plutônio residuais. Devido a essa viabilidade técnica, outros países que operam usinas nucleares acompanham a implementação do sistema finlandês para a busca de soluções semelhantes para seus resíduos de longo prazo.

Notícias Relacionadas