Finlândia prepara a implementação do primeiro depósito geológico permanente do mundo para resíduos nucleares
A Finlândia implementará em Eurajoki o primeiro depósito geológico profundo do mundo para armazenar até 6.500 toneladas de combustível nuclear usado. A instalação Onkalo isolará resíduos em cápsulas de cobre e argila a 430 metros de profundidade. A operação aguarda decisão da autoridade de segurança STUK para iniciar atividades entre o fim deste ano e o início do próximo
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A Finlândia prepara a implementação do primeiro depósito geológico profundo permanente do mundo para o armazenamento de combustível nuclear usado. Localizada em Eurajoki, no sudoeste do país, a instalação Onkalo — termo que significa "caverna" em finlandês — foi escavada em rochas com 1,9 bilhão de anos para isolar resíduos radioativos por um período de 100 mil anos.
O projeto, gerido pela empresa Posiva, prevê a guarda de até 6.500 toneladas de material proveniente dos cinco reatores nucleares em operação no país. A estrutura situa-se a aproximadamente 430 metros de profundidade, com galerias que atingem os 450 metros, utilizando a rocha antiga como barreira natural de proteção.
O processo de armazenamento consiste no acondicionamento dos resíduos em cápsulas de cobre resistentes à corrosão, que serão inseridas em furos no leito rochoso. Para reforçar a segurança, cada cápsula será envolta em argila de bentonita, material capaz de restringir a entrada de água e retardar a dispersão de radioatividade. A etapa final de fechamento dos túneis utilizará estruturas de concreto reforçado, baseadas no método sueco KBS-3.
Atualmente, a operação aguarda a decisão da autoridade de segurança nuclear finlandesa, a STUK. A análise técnica, que deve ser finalizada até o fim de junho, abrangeu os procedimentos operacionais, as barreiras de engenharia, a segurança de longo prazo e o comportamento da bentonita. A Posiva já validou a linha de encapsulamento e realizou testes de funcionamento com combustível simulado, sem radioatividade.
A expectativa da Teollisuuden Voima é que as atividades com resíduos reais comecem entre o final deste ano e o início do próximo. Enquanto diversas nações ainda dependem de depósitos temporários, a Finlândia avança para uma solução industrial de escala temporal extrema, embora a viabilidade absoluta de tais sistemas diante de incertezas geológicas e temporais seja alvo de críticas.