Ciência

Fósseis de 500 milhões de anos na China indicam que a complexidade biológica surgiu precocemente

08 de Abril de 2026 às 12:23

Mais de 700 fósseis de algas e animais com 500 milhões de anos foram encontrados no sudoeste da China. O estudo, publicado na revista Science, identificou organismos com simetria bilateral e estruturas digestivas no biota de Jiangchuan. Os achados indicam que a complexidade biológica surgiu antes do período Cámbrio

Fósseis de 500 milhões de anos na China indicam que a complexidade biológica surgiu precocemente
Warner Bros. Pictures/Denis Villeneuve

A identificação de organismos desconhecidos com 500 milhões de anos, em um sítio fossilífero no sudoeste da China, indica que a complexidade biológica na Terra emergiu antes do que se acreditava. O estudo, publicado na revista Science, analisa o biota de Jiangchuan, onde foram recuperados mais de 700 fósseis de algas e animais datados entre 554 e 539 milhões de anos, período que marca o fim do Ediacárico e precede a explosão do Cámbrio.

Esses achados questionam a tese científica de que a diversidade animal teria aumentado de forma abrupta há 539 milhões de anos, sugerindo uma alteração na cronologia da evolução animal. Entre os espécimes analisados, foram encontrados organismos com simetria bilateral e formato de verme, possivelmente ancorados no fundo do mar, além de seres semelhantes a águas-vivas e ancestrais primitivos de pepinos-do-mar e estrelas-do-mar. A presença de estruturas tentaculares para a captura de alimento revela estratégias de sobrevivência avançadas para a época.

A morfologia incomum de um dos espécimes chamou a atenção de Frankie Dunn, pesquisador do Museu de História Natural da Universidade de Oxford e coautor do trabalho, que comparou a aparência do animal ao verme de areia do planeta fictício Arrakis. Outros fósseis do local não apresentam relação com espécies modernas ou com organismos já catalogados nos períodos Ediacárico e Cámbrio, o que aponta para a existência de linhagens evolutivas que podem ter sido extintas sem deixar descendentes.

A preservação desses fósseis ocorreu na forma de filmes carbonosos, diferindo dos habituais restos tridimensionais. Essa característica permitiu a observação de tecidos moles, incluindo estruturas bucais e o sistema digestivo, detalhes raramente conservados em rochas dessa antiguidade. Ross Anderson, também coautor do estudo, argumenta que a ausência desses grupos complexos em outros sítios fossilíferos pode ser resultado de diferenças nos processos de preservação, e não da inexistência desses seres.

A descoberta propõe a reanálise do registro fossilífero por meio de novas técnicas, sob a possibilidade de que outras comunidades complexas tenham existido, mas não foram preservadas, oferecendo um novo caminho para a compreensão da formação dos primeiros ecossistemas complexos do planeta.

Com informações de El Confidencial

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