Ciência

Fósseis na Austrália indicam que os primeiros eucariotos viveram em ambientes costeiros oxigenados

22 de Maio de 2026 às 06:20

Pesquisadores das universidades McGill e da Califórnia identificaram fósseis de eucariotos de 1,7 bilhão de anos em rochas do norte da Austrália. O estudo, publicado na Nature, indica que esses organismos habitavam fundos marinhos costeiros e oxigenados

Fósseis na Austrália indicam que os primeiros eucariotos viveram em ambientes costeiros oxigenados
Max Lechte

A análise de fósseis microscópicos preservados em rochas de grão fino no norte da Austrália indica que os primeiros eucariotos habitaram ambientes costeiros e oxigenados no fundo do mar, há quase 1,7 bilhão de anos. O estudo, publicado na revista Nature e conduzido por pesquisadores das universidades McGill e da Califórnia em Santa Bárbara, altera a compreensão anterior de que a vida complexa teria surgido em oceanos abertos ou em regiões pobres em oxigênio.

Os eucariotos constituem o grupo ancestral de plantas, animais, fungos, seres humanos e diversos microrganismos. Para compreender a transição de organismos simples para formas diversificadas, a equipe examinou rochas com idade entre 1,750 e 1,400 milhões de anos, utilizando a química dos minerais para reconstruir o cenário da época. A análise de elementos sensíveis ao oxigênio, como o ferro, revelou que a água onde esses seres viviam era oxigenada, contrastando com a condição predominante de grande parte dos oceanos naquele período geológico.

A investigação buscou identificar se esses fósseis primitivos já possuíam mitocôndrias, organelas que permitem a sobrevivência em ambientes aeróbicos. Os dados mostram que esses organismos eram bentônicos, concentrando-se no leito marinho costeiro, e que a expansão para os oceanos abertos teria ocorrido apenas cerca de 1 bilhão de anos depois.

Essa evidência sugere que a disponibilidade de oxigênio foi o fator determinante para a evolução eucariota desde seus estágios iniciais, corroborando pesquisas recentes sobre microrganismos ancestrais com capacidade de utilizar esse elemento. A descoberta auxilia na explicação da biodiversidade terrestre atual e fornece parâmetros para a avaliação de possíveis formas de vida em outros planetas habitáveis.

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