Fóssil de Lucy deixa a Etiópia para exposição temporária no Museu de História Natural de Abu Dhabi
O esqueleto de Australopithecus afarensis de 3,2 milhões de anos, conhecido como Lucy, está em exibição temporária no Museu de História Natural de Abu Dhabi. O fóssil original deixou a Etiópia por meio de cooperação técnica e permanecerá nos Emirados Árabes Unidos até julho de 2026
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O esqueleto de Lucy, hominídea da espécie *Australopithecus afarensis* com 3,2 milhões de anos, está em exibição temporária no Museu de História Natural de Abu Dhabi. A chegada do fóssil original aos Emirados Árabes Unidos, ocorrida para a inauguração da instituição em novembro de 2025, marca a primeira vez que o espécime deixa a Etiópia desde 2013.
A transferência foi viabilizada por meio de uma cooperação técnica entre a Autoridade do Patrimônio da Etiópia, o Museu Nacional da Etiópia e a administração do museu de Abu Dhabi. O processo envolveu logística rigorosa, com o transporte de cada osso em malas especiais com suportes individuais e a montagem de uma vitrine com condições ambientais controladas, sob a supervisão da curadora Sahleselasie Melaku.
Descoberto em 1974 na região de Afar, na Etiópia, por uma equipe liderada pelo paleoantropólogo Donald Johanson, o fóssil é considerado um dos mais completos de sua espécie. A descoberta foi impulsionada pelo achado prévio de uma mandíbula da mesma espécie, encontrado por Ato Alemayehu Asfaw. Conhecida no Ocidente como Lucy e chamada de Dinknesh pelos etíopes, a peça é um símbolo do patrimônio natural da Etiópia.
A exposição atual reflete uma mudança na gestão de acervos científicos. Diferente de modelos históricos, onde descobertas africanas eram permanentemente removidas para museus estrangeiros, a permanência de Lucy em Abu Dhabi é baseada em um modelo de compartilhamento e colaboração. O museu de Abu Dhabi, concebido para abordar temas como biodiversidade e conservação, já implementou a descolonização de seu acervo ao receber de volta fósseis do Mioceno Superior (de 7 a 8 milhões de anos) que estavam em Londres.
A visita de Lucy, que se estende até julho de 2026, quando o esqueleto retornará a Adis Abeba, visa fortalecer a cooperação institucional e a pesquisa compartilhada entre as nações. O impacto junto ao público tem sido notável, com visitantes reagindo à autenticidade do fóssil original, em contraste com as réplicas habitualmente expostas em outras instituições.