Fóssil de Tyrannosaurus rex apresenta evidências de cicatrização em costela fraturada
Pesquisadores identificaram moldes mineralizados de vasos sanguíneos em uma costela fraturada do Tyrannosaurus rex Scotty, no Canadá. O estudo, publicado na Scientific Reports, indica que o animal sobreviveu ao trauma e iniciou a cicatrização óssea. A análise utilizou microtomografia computadorizada com radiação de síncrotron e fluorescência de raios X
Pesquisadores identificaram moldes mineralizados de estruturas semelhantes a vasos sanguíneos no interior de uma costela fraturada de um *Tyrannosaurus rex* conhecido como Scotty. O achado, detalhado em estudo publicado na revista *Scientific Reports* e divulgado pelo *ScienceDaily* em 26 de abril de 2026, revela que o animal, que viveu há cerca de 66 milhões de anos no final do período Cretáceo, passou por um processo de cicatrização após sofrer um trauma significativo.
O exemplar, pertencente ao acervo do Royal Saskatchewan Museum e descoberto na Formação Frenchman, em Saskatchewan, no Canadá, apresenta evidências de angiogênese — processo em que o organismo cria novos vasos para transportar oxigênio, nutrientes e células a áreas lesionadas. A presença dessas estruturas tubulares concentradas na região da fratura indica que Scotty sobreviveu ao ferimento por tempo suficiente para que seu corpo iniciasse a recuperação biológica.
Para analisar a composição do fóssil sem danificá-lo, a equipe utilizou microtomografia computadorizada com radiação de síncrotron, técnica que permite a visualização de materiais densos com alta precisão. O estudo foi complementado por fluorescência de raios X, microscopia e análises químicas, que detectaram a presença de ferro, manganês e minerais como hematita, goethita e pirita parcialmente oxidada. Esses elementos formaram a "impressão" mineral dos vasos, que já haviam desaparecido.
Embora a descoberta não tenha resultado na extração de DNA ou proteínas originais — dada a degradação molecular ao longo de milhões de anos —, o estudo sugere uma mudança na estratégia de busca por vestígios biológicos. A hipótese é que regiões de intensa atividade biológica, como calos ósseos, infecções e fraturas em processo de cura, sejam locais mais propícios para a preservação de moléculas antigas ou tecidos mineralizados do que ossos íntegros.
A análise do interior da costela de Scotty demonstra que detalhes anatômicos microscópicos podem ser preservados por dezenas de milhões de anos sob condições favoráveis de fossilização. O registro transforma a compreensão sobre a resiliência desses predadores, evidenciando como o metabolismo do *T. rex* reagia a traumas extremos e transformando lesões ósseas em mapas que revelam a história interna e a sobrevivência do animal.