Ciência

Fóssil de vértebra encontrado na Dinamarca indica que megalodonte podia medir 24,3 metros

03 de Julho de 2026 às 06:42

A recuperação de uma vértebra de megalodonte na Dinamarca, com 23 centímetros de diâmetro, fundamenta a estimativa de que o exemplar atingiu 24,3 metros de comprimento. O estudo indica que o animal tinha ao menos 64 anos e consumia grandes espécies marinhas

Fóssil de vértebra encontrado na Dinamarca indica que megalodonte podia medir 24,3 metros
Museum of Southern Jutland, Denmark

A redescoberta de uma vértebra de megalodonte na Dinamarca trouxe novas evidências sobre as dimensões máximas do predador que habitou os oceanos entre 19,8 e 3,5 milhões de anos atrás. O fóssil, analisado em estudo publicado na revista *Palaeontologia Electronica*, apresenta 23 centímetros de diâmetro, medida que fundamenta as estimativas mais elevadas sobre o tamanho da espécie.

O material fazia parte de um conjunto de aproximadamente 20 vértebras de um único exemplar de *Otodus megalodon*, extraídas em 1978 de depósitos de argila em Gram. A peça em questão, a maior já registrada para a espécie, foi dada como perdida após sofrer danos graves durante um transporte entre depósitos em 1989. O resgate do material ocorreu posteriormente, quando Bent Erik Kramer Lindow, curador do Museu de História Natural da Dinamarca, localizou fragmentos desorganizados em uma caixa, permitindo a revisão científica da evidência.

A análise técnica foi conduzida por uma equipe liderada por Kenshu Shimada, professor de paleobiologia da Universidade DePaul de Chicago. O grupo confirmou que a preservação do centro e de parte da periferia de uma das vértebras permitiu a aferição de um raio de 11,5 centímetros. A validação física da medida encerra a dependência de registros fotográficos antigos e consolida o valor científico do achado.

Com base nesses dados, os pesquisadores estimam que o exemplar dinamarquês teria alcançado 24,3 metros de comprimento. Como os tubarões possuem esqueleto cartilaginoso e raramente deixam fósseis completos, o cálculo foi obtido por meio da comparação entre as vértebras do megalodonte, espécimes fósseis mais íntegros e espécies contemporâneas.

O estudo também revelou aspectos biológicos do animal. A identificação de ao menos 64 anéis de crescimento nas vértebras indica que o predador tinha, no mínimo, 64 anos ao morrer. Além disso, a análise dos sedimentos associados aos fósseis detectou escamas e estruturas de um tubarão-peregrino fóssil. A presença desses elementos sugere que o material pertencia ao conteúdo estomacal do megalodonte, evidenciando uma dieta diversificada composta por grandes espécies marinhas.

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