Fragmentos de malaquita indicam que populações pré-históricas processavam cobre em caverna nos Pirenéus espanhóis
Fragmentos de malaquita encontrados na Caverna 338, nos Pirenéus espanhóis, indicam que populações pré-históricas processavam cobre em altas altitudes entre 5.500 e 3.000 anos atrás. Escavações revelaram lareiras com resíduos térmicos, joias e ossos humanos, sugerindo usos metalúrgicos e rituais. O local era visitado brevemente entre o quinto e o primeiro milênio a.C

A presença de fragmentos de malaquita na Caverna 338, localizada em uma região remota dos Pirenéus, na Espanha, indica que populações pré-históricas utilizavam as altas montanhas para o processamento de cobre. O estudo, publicado na revista Fronteiras na Arqueologia Ambiental, altera a percepção anterior de que grupos humanos raramente ocupavam altitudes elevadas naquela região, revelando que esses espaços não eram marginais, mas integrados a estratégias de mobilidade e exploração de recursos.
A análise do local identificou quatro camadas distintas de visitas humanas. As camadas intermediárias, datadas de 5.500 a 3.000 anos atrás, revelaram lareiras com resíduos de malaquita. Como esse mineral verde não ocorre naturalmente na caverna, a evidência sugere que o material foi transportado para o alto da montanha para ser trabalhado. A hipótese de processamento deliberado é reforçada por fragmentos que sofreram alteração térmica, diferenciando-se de outros materiais da caverna que não foram atingidos pelo fogo, o que descarta a possibilidade de queima acidental.
Esse cenário coincide com a transição entre a Idade da Pedra e a Idade do Bronze, período em que a humanidade passou a utilizar o cobre por sua resistência à corrosão, condutividade térmica e facilidade de moldagem. Enquanto na Mesopotâmia esse uso já era comum em meados do quarto milênio a.C., as culturas neolíticas europeias adotaram o material por volta de 3.000 a.C.
Além dos vestígios minerais, a escavação recuperou joias e ossos de crianças, o que sugere que a Caverna 338 poderia ter funções rituais ou de sepultamento, paralelamente à atividade metalúrgica. A datação dos objetos indica que o local não era um assentamento permanente, mas um ponto de visitas frequentes e breves entre o quinto milênio a.C. e o fim do primeiro milênio a.C.
Embora ainda não tenha sido localizado um ponto de mineração próximo, a altitude da caverna pode ter servido como proteção ou como ponto de acesso a áreas de extração. Para Carlos Tornero, do Instituto Catalão de Paleoecologia Humana e Evolução Social, e Julia Montes-Landa, da Universidade de Granada, os achados comprovam a existência de atividades complexas e a exploração sistemática de minerais em áreas montanhosas, redefinindo o papel desses territórios para as sociedades pré-históricas.