Ciência

Fungo do Solo Encontra Forma para Congelar Água em Temperaturas Elevadas

19 de Março de 2026 às 09:17

Um estudo internacional identificou um fungo comum do solo que produz proteínas capazes de congelar água até -2 °C. Essa capacidade é semelhante à das bactérias e pode ser usada para melhorar modelos climáticos globais, segurança alimentar e manipulação climática. A descoberta foi publicada na revista Science Advances

Fungo do Solo Desempenha Papel Crucial no Congelamento da Água em Temperaturas Elevadas Um estudo internacional recente trouxe à luz uma descoberta inédita sobre a capacidade de um fungo comum do solo para produzir proteínas que congelam água até -2 °C. Essa habilidade, anteriormente associada apenas a bactérias e partículas minerais, abre caminho para novos métodos na manipulação climática, segurança alimentar e melhoria dos modelos climáticos globais. A pesquisa foi realizada com base em amostras coletadas durante expedições polares. A análise genética permitiu identificar genes responsáveis pela capacidade de congelamento, semelhantes aos encontrados em bactérias. Para confirmar a função desses genes, os cientistas os inseriram em outros organismos como leveduras e a bactéria Escherichia coli. Os resultados mostraram que essas proteínas são solúveis em água, altamente estáveis e atuam independentemente das células. Isso as torna mais eficientes do que as bactérias, que dependem da presença física de suas células para iniciar o congelamento. A capacidade desse fungo do solo pode ter origem em um processo conhecido como transferência horizontal de genes. Nesse mecanismo, organismos adquirem material genético de outros seres vivos sem relação direta de ancestralidade. A inclusão dessas moléculas em estudos climáticos pode melhorar a precisão dos modelos utilizados para prever mudanças no clima. As proteínas produzidas pelo fungo do solo surgem como uma alternativa natural e não tóxica à semeadura de nuvens. Além disso, sua estabilidade em condições adversas aumenta o potencial de aplicação em larga escala. A possibilidade de produzi-las em quantidade suficiente pode tornar a manipulação climática mais segura e eficiente. O estudo também destaca aplicações na indústria alimentícia, onde essas proteínas podem preservar melhor estruturas celulares sensíveis dos alimentos. Isso evita danos causados pelo congelamento rápido e profundo. Na medicina, a aplicação pode ser ainda mais relevante para a preservação de órgãos e tecidos. A identificação dessas proteínas facilita a medição de sua quantidade na atmosfera. Isso contribui para o desenvolvimento de modelos climáticos mais detalhados e confiáveis. A inclusão desses agentes biológicos nas nuvens é um passo importante no entendimento da dinâmica do clima. A descoberta foi publicada na revista científica Science Advances, ampliando o conhecimento sobre o papel de organismos microscópicos na formação de gelo e abrindo novas possibilidades de aplicação tecnológica.
Com informações de Click Petróleo e Gás

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