Ciência

Google pede autorização para liberar 32 milhões de mosquitos modificados na Califórnia e na Flórida

02 de Junho de 2026 às 15:08

A Google solicitou à Agência de Proteção Ambiental dos EUA a liberação de até 32 milhões de mosquitos machos modificados na Califórnia e Flórida. O programa Debug utiliza a bactéria Wolbachia para esterilizar a espécie Aedes aegypti e reduzir sua população. O prazo para manifestações públicas sobre a permissão experimental termina em 5 de junho

Google pede autorização para liberar 32 milhões de mosquitos modificados na Califórnia e na Flórida
Un mosquito 'Culex tarsalis'

A Google pleiteou junto à Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) a autorização para liberar até 32 milhões de mosquitos nos estados da Califórnia e da Flórida. A iniciativa, denominada programa Debug, visa reduzir a população do *Aedes aegypti*, espécie responsável pela transmissão de vírus como dengue, zika, febre amarela e chikungunya.

A estratégia consiste na liberação de machos modificados biologicamente para esterilizar a espécie. Como os machos não picam nem transmitem doenças, eles são utilizados para controlar a reprodução de populações selvagens por meio da bactéria Wolbachia. Quando um macho criado em laboratório se acasala com uma fêmea selvagem, a presença da bactéria impede que os ovos sejam viáveis, provocando a diminuição da população a cada geração.

O projeto substitui métodos tradicionais, como a fumigação e o uso de pesticidas, que podem perder a eficácia ou apresentar toxicidade. Além disso, a empresa aponta a dificuldade de eliminar todos os focos de água em regiões urbanas e quentes como um fator que torna as medidas convencionais insuficientes.

A operação é sustentada por tecnologia de análise de dados, sensores e visão computacional com inteligência artificial. Essas ferramentas permitem a separação precisa entre machos e fêmeas durante a criação automatizada, além de definir a quantidade de insetos e os locais ideais para a soltura.

A EPA analisa a permissão experimental para a liberação de até 16 milhões de mosquitos anualmente em dois períodos distintos. O prazo para manifestações públicas encerra-se em 5 de junho, data que precede a decisão sobre o início dos testes em território americano.

A viabilidade do método foi testada em Singapura, onde a liberação de milhões de machos com Wolbachia resultou na supressão de 80% a 90% da população de *Aedes aegypti*. Dados da agência ambiental daquele país indicam que a incidência de casos de dengue caiu mais de 70% entre seis e 12 meses após o início das liberações.

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